
Enquanto o Médio Oriente está num impasse e aguarda pelas negociações de paz, os hackers iranianos têm estado a trabalhar com os modelos de Inteligência Artificial fabricados nos Estados Unidos.
De acordo com o Financial Times(FT), ChatGPT, Gemini e outros programas de Inteligência Artificial (IA) ocidentais aceleraram as operações cibernéticas do Irão, ajudando-o a desenvolver malware, a elaborar mensagens de phishing em hebraico e árabe perfeitos e a desencadear ataques a uma escala e velocidade sem precedentes, segundo especialistas em cibersegurança e empresas tecnológicas.
“Estamos a ver sinais de que estão a usar instruções de IA em todo o processo”», disse um analista de cibersegurança de uma grande empresa, falando anonimamente sobre o assunto, indica o FT. “Ajudou-os absolutamente a elevar o seu nível”. Isso está a permitit ao Irão manter a pressão digital sobre os seus adversários mais avançados, varrendo a internet em busca de vulnerabilidades inimigas e protegendo as suas próprias fraquezas. Chegam mesmo a usar IA para criar identidades convincentes e enganar alvos nos EUA e em Israel, avança o FT.
Os Emirados Árabes Unidos, fustigados por milhares de mísseis e drones durante os combates, afirmaram estar a enfrentar mais de meio milhão de ciberataques por dia, com a ajuda do ChatGPT da OpenAI. Os israelitas têm sido bombardeados com sucessivas vagas de e-mails e mensagens de phishing, alguns alegadamente convidando-os a colaborar com os serviços de informações iranianos.
Os hackers iranianos experimentam IA há anos, mas os novos modelos mais potentes tornaram-nos mais ameaçadores.
“Tudo isto é feito automaticamente”, disse Gil Messing, da empresa israelita de cibersegurança Check Point. “Estão a usar todas as ferramentas ao seu alcance para acelerar os seus esforços através da IA”.
Os ataques iranianos assentam frequentemente em convencer alvos desprevenidos a clicar em ligações suspeitas. Mas pode demorar semanas de conversas sob uma identidade falsa para construir confiança e levá-los a baixar a guarda.
“Se és de Teerão e tentas fazer-te passar pelo responsável de recursos humanos de um empreiteiro de defesa, é um esforço enorme falar com alguém durante um mês e passar por uma pessoa que vive na Califórnia”, disse o analista de cibersegurança. Pouco antes de o conflito ter começado no final de fevereiro, a Google detetou o grupo apoiado pelo Estado APT42 a usar o modelo Gemini da empresa tecnológica precisamente para isso.
As empresas ocidentais têm feito os possíveis para manter os iranianos afastados, mas detetar novas contas torna-se rapidamente um jogo de gato e rato [sem equiv. directo: “whack-a-mole”].
“Quando identificamos atividade prejudicial, tomamos medidas, incluindo a desativação de contas, o cancelamento do acesso ou a limitação das capacidades que estão a ser utilizadas de forma abusiva», afirmou a OpenAI num comunicado, acrescentando que dispõe de salvaguardas em toda a sua plataforma e que os seus modelos mais avançados «não estão amplamente disponíveis para utilização”.
A OpenAI disse que reporta e interrompe regularmente tentativas de atores ligados ao Irão de utilizarem indevidamente os seus serviços, referindo que esses atores utilizam geralmente os seus modelos para atividades como pesquisa, tradução, depuração de código e apoio a scripts. Afirmou que os seus modelos, com as salvaguardas existentes, não oferecem capacidades cibernéticas inéditas.
A Google recusou comentar o assunto, de acordo com o FT.
Como o Irão está a usar o ChatGPT para fins militares 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-05-31 12:05:13
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