
O antigo presidente norte-americano Barack Obama defendeu em Lisboa a necessidade de regular a inteligência artificial a nível internacional, mas reconheceu que será “um grande desafio”, apontando a falta de confiança entre Estados Unidos e China.
“Ainda não temos as guias de segurança de que precisamos. [A regulação] tem de começar nos Estados Unidos, a China é outro país”, comentou o 44.º Presidente dos Estados Unidos (2009-2017) e Nobel da Paz 2009, numa conversa no final da sexta edição do Game Changers Forum, perante uma plateia de mais de 10 mil pessoas, segundo a organização.
Obama apontou EUA e China como os países mais avançados em termos de inteligência artificial (IA), mas ressalvou que “não há neste momento muita confiança entre eles”. “Temos de regular e coordenar entre nações e isso vai ser um grande desafio”, comentou.
O antigo líder dos Estados Unidos Barack Obama recordou ainda que um presidente não pode iniciar uma guerra sem submeter essa decisão ao parlamento. “Tecnicamente, um presidente não pode começar uma guerra sem aprovação do parlamento”, comentou, recebendo fortes aplausos da audiência. Obama, que ocupou a Casa Branca durante dois mandatos, entre 2009 e 2017, e recebeu o Nobel da Paz em 2009, não se referiu explicitamente ao atual Presidente norte-americano, Donald Trump, que não pediu autorização legislativa para desencadear os ataques contra o Irão.
Obama defendeu, por outro lado, a necessidade de líderes políticos que reconheçam uma “humanidade comum”, lamentando a “nostalgia” da “América real” que se observa hoje nos Estados Unidos. “O que precisamos agora é [de líderes] que representem o seu próprio povo e apreciem as tradições, cultura e história, mas também que vejam que quem está noutro país também tem esperanças e sonhos, que temos uma humanidade comum, mais do que desconfiança”, afirmou. “É o tipo de liderança de que precisamos no palco internacional”, insistiu.
Nos Estados Unidos, referiu, “tem havido um esforço de dizer que há uma América real, uma nostalgia de quando as pessoas negras eram silenciosas e não estavam na Casa Branca e as mulheres sabiam o seu lugar, na cozinha e em casa”, recebendo fortes aplausos. “O que precisamos agora é de líderes suficientemente confiantes que digam: ‘eu quero viver num mundo onde as minhas filhas têm as mesmas oportunidades que os meus filhos, onde o meu vizinho não me ameaça e eu não sinto que tenha de ser superior’”, comentou.
“Precisamos desse impulso democrático na nossa liderança e de líderes que compreendem os valores da democracia e da igualdade”, salientou, acrescentando que são necessárias também “novas instituições que possam mover-se mais depressa para realmente entregar resultados às pessoas”.
Antes da palestra, o Presidente da República, António José Seguro, recebeu, no Palácio de Belém, o antigo presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, para uma conversa informal e uma troca de impressões sobre temas da atualidade internacional.
Obama: “grande desafio” é a coordenação entre EUA e China sobre IA 2026
IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2026 2026-10-10 19:52:46
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