
A ausência de Viktor Orbán marcou a cimeira informal de líderes da União Europeia em Nicósia, Chipre. Derrotado nas eleições de 12 de abril depois de 16 anos no poder, não esteve presente numa reunião em que os 27 conseguiram desbloquear um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia e novas sanções contra a Rússia. O ‘suspiro de alívio’ pela ausência de Orbán ficou bem patente numa entrevista que á principal diplomata do bloco, Kaja Kallas, para quem “neste mundo geopolítico, precisamos de ser credíveis e para isso precisamos de estar unidos e capazes de tomar decisões”. A instrumentalização dos vetos mina os princípios democráticos da União Europeia, uma vez que sequestra os interesses de 26 países em nome de um único partido, afirmou a Alta Representante, Kaja Kallas, em entrevista à Euronews.
Kallas refletia sobre o fim dos 16 anos de poder ininterrupto de Viktor Orbán, durante os quais o primeiro-ministro húngaro frustrou frequentemente os seus colegas líderes com os seus vetos quase constantes e sobrepostos. “Temos de deixar claro que, de facto, os tratados da UE não preveem o veto. Os tratados baseiam-se na unanimidade – que todos concordem”, disse. “Vimos recentemente que quando 26 países querem algo e um não quer, acabamos por fazer o que esse país quer e não o que os 26 querem. Portanto, não se trata de uma verdadeira democracia”.
“Temos também de rever os nossos métodos de trabalho para sermos mais eficazes, porque neste mundo geopolítico temos de ser credíveis e, para isso, temos de estar unidos e ser capazes de tomar decisões”, acrescentou. No novo quadro de relações a 27, a Alta Representante afirmou estar “muito esperançada” numa “boa cooperação” com o novo governo húngaro de Péter Magyar, que venceu as eleições com a promessa de restabelecer os laços entre Budapeste e Bruxelas.
Entretanto, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, continua a insistir numa “data clara” para a admissão do seu país à União, de acordo com um calendário acelerado que já foi anunciado. “A Ucrânia não precisa de uma adesão simbólica à UE. A Ucrânia está a defender-se a si própria e está também a defender a Europa. E não o está a fazer de forma simbólica – as pessoas estão realmente a morrer”, afirmou esta semana, antes de se juntar aos líderes da União em Chipre. “Estamos a defender valores europeus comuns. Acredito que merecemos ser membros de pleno direito”, disse.
O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, voltou a ser a voz mais discordante da reunião, ao denunciar, mais uma vez, a “dualidade de critérios” da União Europeia, que se mostra disposta a sancionar a Rússia e hesita em fazer o mesmo em relação a Israel – facto que, na sua opinião, enfraquece a “credibilidade” e a “legitimidade” coletivas para defender a Ucrânia.
“Algo que está a retirar-nos legitimidade, não só aos olhos do mundo exterior mas também aos olhos das nossas próprias sociedades, é este duplo padrão, este duplo critério que a Europa está a usar na Ucrânia e no Médio Oriente”, disse Sánchez. O líder espanhol voltou a apresentar o assunto na cimeira informal em Chipre, considerando que Israel violou o artigo 2 do Acordo de Associação, que impõe obrigações vinculativas de respeito pelos direitos humanos.
A questão de os Estados Unidos poderem estar a preparar a suspensão de Espanha no quadro da NATO mereceu pouca atenção de Sánchez, que disse apenas que está a favor da aliança e que não responde senão a decisões que vinculam quem as toma e não o ‘diz que disse’.
Montenegro apoia presença de Putin
Outro tema que, à margem do encontro, este presente foi a declaração do presidente Donald Trump segundo a qual o seu homólogo russo, Vladimir Putin devia estar presente no próximo encontro do G20. Recusando pronunciar-se sobre a questão da Espanha na NATO, o primeiro-ministro português afirmou não se opor à inclusão da Rússia na cimeira, alegando que faz sentido começar a dialogar com o país.
“Parece-me que a inclusão da Rússia na avaliação das grandes questões da geopolítica e das questões económicas e comerciais o mundo não é negativa. É preciso estabelecer diálogo com a Rússia para resolver os conflitos em que a Rússia está envolvida”, afirmou o primeiro-ministro português em declarações aos jornalistas à margem da cimeira informal dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, em Chipre.
“Desse ponto de vista, como observador externo, Portugal não faz parte do G20, eu não tenho nenhum problema em vislumbrar aspetos positivos nessa inclusão”, indicou.
Sobre os fundos europeus, Montenegro defendeu a posição portuguesa e garantiu uma forte oposição ao próximo orçamento da UE se este desrespeitar os princípios da política de coesão. “Não podemos, de maneira nenhuma, descurar a política de coesão e interromper um caminho de convergência que temos vindo trilhando e de que Portugal é um exemplo”, com Luís Montenegro a destacar o crescimento económico português, “que supera a média da UE e da zona euro”, e a redução da dívida pública do país.
Cimeira informal em Chipre: União respira de alívio com a ausência de Orbán 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-04-24 15:45:18
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