Lacão critica Ricardo Gonçalves: PS não é „grupo de diletantes“
O antigo ministro dos Assuntos Parlamentares Jorge Lacão criticou o antigo deputado socialista Ricardo Gonçalves, que apresentou uma lista à Comissão Nacional alternativa à da direção de José Luís Carneiro, afirmando que quem quer apresentar alternativas deve fazê-lo “a tempo e horas” e que o PS não é um “grupo de diletantes”.
Paulo Pisco: „Viagem à Venezuela foi muito bem sucedida“
O ex-deputado do PS Paulo Pisco interveio no congresso para anunciar que o partido deverá avançar com uma mudança dos estatutos para que seja incluído o departamento das comunidades portuguesas.
O socialista, que integrou uma comitiva do PS liderada por José Luís Carneiro numa visita à Venezuela que levantou várias críticas dos partidos da direita mas também algum mal estar interno, abordou essa deslocação para dizer que “foi muito bem sucedida e abriu várias vias para o futuro”, rejeitando que tenha sido uma forma de legitimar o poder venezuelano.
Pacote laboral „não passará“ e PS deve ser intransigente, diz Ana Mendes Godinho
A antiga ministra do Trabalho Ana Mendes Godinho defendeu que o PS deve assumir uma posição de “luta intransigente” contra o pacote laboral, que classificou de “ataque aos trabalhadores“, antevendo que as alterações “não passarão”.
No período de intervenções políticas no 25.º Congresso do PS, em Viseu, a ex-ministra do Trabalho Ana Mendes Godinho afirmou que os socialistas devem ser intransigentes na defesa das pessoas e que essa posição deve evidenciar-se em relação ao pacote laboral proposto pelo Governo, rejeitando-o.
Para Ana Mendes Godinho, é preciso uma “luta intransigente” contra um “ataque aos trabalhadores”, até porque o país “não pode voltar ao século passado em matéria laboral, mas sim avançar no sentido de maior dignificação do trabalho“.
A socialista argumentou que os jovens precisam de confiança e não de precariedade e que “quando se enfraquecem os direitos dos trabalhadores, enfraquece-se a democracia”.
“Este pacote não passará, não pode passar. Este pacote é uma agenda ideológica, é um pacote de polarização social, é um pacote de vingança contra os portugueses e contra os trabalhadores e contra o país. O Partido Socialista não tem dúvidas. O trabalho digno não é um detalhe”, rematou.
A ministra falou ainda da deputada do PS Eva Cruzeiro, transmitindo-lhe uma “palavra de solidariedade” e afirmando que “quem diz o óbvio, quem defende a dignidade de todos, quem se recusa à discriminação não pode ser motivo de censura”.
Ana Mendes Godinho referia-se ao facto de a Comissão de Transparência e Estatuto de Deputados ter concluído que a socialista Eva Cruzeiro desrespeitou “deveres fundamentais dos deputados” ao chamar “racistas e xenófobos” aos parlamentares do Chega, um “comportamento inadequado e inaceitável” que não pode ser sancionado “por falta de habilitação legal”.
A socialista defendeu que não se pode “aceitar o ódio como linguagem pública”, nem “deixar que a intolerância se transforme no novo normal”.
Inês de Medeiros encabeça lista de Carneiro à Comissão Nacional
A presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, vai encabeçar a lista à Comissão Nacional do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, adiantou fonte socialista à Lusa.
No último congresso, em janeiro de 2024, a Comissão Nacional, órgão máximo entre congressos, foi eleita em lista única, então encabeçada por Francisco Assis, e resultou de um acordo do ex-líder do PS Pedro Nuno Santos com José Luís Carneiro e Daniel Adrião, que tinham sido os seus opositores nas eleições diretas.
Ex-deputado Ricardo Gonçalves avança com lista alternativa à Comissão Nacional
O antigo deputado socialista Ricardo Gonçalves anunciou ter apresentado uma lista à Comissão Nacional alternativa à da direção de José Luís Carneiro por considerar que „a lista oficial mata o PS“.
„Não é fácil defender uma lista e é fundamental que haja mais do que uma, porque a lista oficial mata o PS”, sustentou Ricardo Gonçalves numa intervenção no 25.º congresso dos socialistas, em Viseu.
Ricardo Gonçalves disse que a lista à Comissão Nacional e aos órgãos nacionais será encabeçada por si e pediu à Mesa do Congresso tempo de antena para poder defendê-la. “Não há verdadeira democracia com unanimismos ou listas únicas”, salientou, considerando que a situação de lista única “tem que acabar” no PS.
O prazo para a entrega das listas termina hoje às 19:00 e a votação decorre no domingo durante a manhã.
Lusa
Carlos César confirma presidência do PS e lembra ao partido: „o poder é exercido por empréstimo dos eleitores“
„Não podemos pensar em voltar a merecer a confiança maioritária dos portugueses só porque fomos melhores em momentos do passado“, avisou o presidente do PS, Carlos César, este sábado, 28 de março, no segundo dia do XXV Congresso Nacional do PS, que surge num momento, já referido pelo líder do partido, José Luís Carneiro, no arranque da reunião magna, como sendo „muito difícil“, tendo em conta os resultados eleitorais das legislativs de maio de 2025.
Ainda assim, tal como Carlos César sustentou na intervenção de confirmação da presidência socialista, „o PS é o partido de oposição mais atido pelos portugueses nas últimas eleições autárquicas, confinando a extrema-direita a uma representação irrisória na administração local“.
Para reforçar esta ideia de esperança, César também lembrou que, nas eleições presidenciais, apoiaram, „no tempo e no modo adequados, o candidato que se apresentou vindo da esquerda democrática, cuja vitória pessoal é também uma vitória dos democratas e uma vitória“ para os socialistas.
A ideia de justificar o equilíbrio dos resultados das legislativas com os resultados das autárquicas e das presidenciais, para além de ter sido vincada no arranque do Congresso por José Luís Carneiro, tinha sido notado, antes da intervenção de Carlos César, por Armando Mourisca, o líder da Federação Distrital de Viseu do PS, a anfitriã da reunião magna do partido.

Numa sala, no Pavilhão Multiusos de Viseu que tem mantido tantos lugares vazios como ocupados, Carlos César, na tentativa de reforçar a ideia de esforço que o PS deve fazer, considerou: „só teremos essa confiança se provarmos no presente que a merecemos no futuro. Em democracia o poder é exercido por empréstimo dos eleitores; temos de novo de provar a nossa solvência política, ou seja que somos merecedores desse crédito.“
Para que o Governo seja „o menos mau possível“
Carlos César, numa longa fase da intervenção dedicada ao Governo, colou vitórias anunciadas pelo Executivo liderado por Luís Montenegro, „por ocasião da última reunião do Conselho Europeu“, a vitórias socialistas. Com esse objetivo, citou o primeiro-ministro referindo “crescimentos económicos sustentados e bons desempenhos orçamentais nos últimos anos”, que de acordo com Carlos César foram conquistadas „com os governos do Partido Socialista“.
„Em planos diversos, mas tão relevantes para todos nós, este Governo tarda em agir ou falha quando age“, acusou, destacando uma redução dos „sinais de uma aposta saliente na Educação e na qualificação profissional“.
„O serviço público de saúde insatisfaz cada vez mais numa miscelânea de medidas contraditórias“, na mesma medida em que „a Cultura é uma área ignorada“, continuou Carlos César, lembrando que „os jovens não se reconhecem nas políticas públicas“ e „a Justiça não se apressa nem se reforma“.
„As empresas ou os cidadãos prejudicados a quem o Estado promete compensações aguardam em infindáveis listas de espera“ e „a fiscalidade é uma manta de retalhos sem uma orientação percetível que não seja a dos cofres do Estado“, descreveu.
„Nunca em tão pouco tempo foi tanto dito e não cumprido, e nunca em tão pouco tempo foi tanto feito com tanto defeito“, afirmou.
Com a acusação de que „o Governo que temos continua a dedicar mais atenção à oposição ao Partido Socialista e ao namoro com a extrema-direita do que à resolução de todos e de cada um desses problemas que persistem ou que se intensificam“, Carlos César considerou que „o PS deve continuar a demonstrar querer ser parte das soluções e não apenas parte da crítica e da denúncia“.
„Enquanto for este o Governo e não puder ser outro, o nosso dever é o de contribuir para que seja o menos mau possível“, concluiu.
Congresso do PS. Ex-deputado Ricardo Gonçalves avança com lista alternativa à Comissão Nacional 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-03-28 12:22:37
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