A Federação Portuguesa pela Vida, que organizou a manifestação contra o aborto e a eutanásia que foi alvo de um ataque com um cocktail Molotov, no final da tarde de sábado, junto à Assembleia da República, responsabiliza deputadas como a socialista Isabel Moreira e a bloquista Joana Mortágua (que não foi reeleita em 2025) pelo resultado do “tom de ódio” em relação ao movimento pró-vida.
Num comunicado divulgado pela Federação Portuguesa pela Vida, na noite de domingo, na qual a entidade pediu às autoridades para tratarem o ataque contra a Marcha pela Vida “como o ato terrorista que é”, também foi feito um apelo para que “todos aqueles que, especialmente no exercício de poderes públicos, têm usado nos últimos anos um tom de ódio contra o movimento pró-vida – acusando-nos de inúmeras iniquidades – coloquem a mão na consciência e compreendam as consequências do seu discurso”.
Contactado pelo DN, José Seabra Duque, membro da direção da Federação pela Vida, referindo-se a intervenções parlamentares sobre “temas ligados à vida”, como a interrupção voluntária da gravidez e a eutanásia, identificou Isabel Moreira, Joana Mortágua e ainda a eurodeputada bloquista Catarina Martins e a ex-deputada do PEV Heloísa Apolónia como pessoas que utilizam “tom de ódio” nesse contexto. “Se eu acreditasse que o movimento pró-vida é aquilo que a deputada Isabel Moreira descreve, também se calhar faria alguma coisa”, diz o dirigente, para quem a deputada socialista os acusa, nas suas intervenções, de quererem “que as mulheres morram” e “que as pessoas sofram”.
O DN procurou, sem sucesso, obter um comentário de Isabel Moreira às alegações de Seabra Duque. Por seu lado, Joana Mortágua, a quem o dirigente da Federação Portuguesa pela Vida disse ter ouvido, em relação aos militantes pró-vida, “que somos bárbaros, que somos assassinos e que somos contra a civilização”, no âmbito da discussão da Lei da Eutanásia, negou que tenha proferido tais palavras.
“É uma absoluta mentira que alguém me tenha ouvido dizer tal coisa sobre este movimento”, diz a antiga deputada bloquista, que condena o ataque contra pessoas que se estavam a manifestar. “Como é óbvio, distancio-me por completo dessa ação violenta e considero insultuosa a tentativa de me associarem a ela”, disse ao DN, acrescentando que as “declarações inaceitáveis” de Seabra Duque o deviam “levar a pôr a mão na consciência”.
Autor do ataque fica em liberdade
O homem de 39 anos que foi detido pela PSP neste sábado, após arremessar um cocktail Molotov contra participantes na Marcha pela Paz, incluindo crianças e bebés, num ataque sem piores consequências por não ter conseguido acender o pavio improvisado na garrafa cheia de gasolina, vai ficar em liberdade. Na audiência judicial para aplicação de medidas de coação ficou apenas sujeito a apresentações diárias e proibido de frequentar o local do crime, neste caso as imediações da Assembleia da República.
A Federação Portuguesa pela Vida vai pedir uma audiência ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, que no domingo disse que não haverá tolerância a “qualquer forma de extremismo violento” e foi chamado à Assembleia da República, por iniciativa do grupo parlamentar do PSD. O ataque foi condenado nesta segunda-feira por partidos como o Chega, o CDS-PP, a Iniciativa Liberal e o Livre.
Movimento pró-vida aponta dedo a Isabel Moreira e Joana Mortágua 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-03-24 11:29:25
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