A poeta Natália Correia, após uma visita aos Estados Unidos, escreveu um livro, cujo título é, por si próprio, uma resposta e um desafio: Descobri Que Era Europeia.
Face à situação internacional, que hoje se nos apresenta de um modo que há bem poucos anos consideraríamos fantasista, descobrimos que somos europeus e estamos sós. Mas é difícil reduzirmo-nos a ser apenas europeus. Toda a experiência da Europa só pode ser compreendida nas trocas e nas lutas que as suas nações travaram entre si, bem como no intercâmbio e nas guerras de dominação dos europeus com as outras civilizações, que lhes foi fácil qualificar como bárbaras, mesmo que fossem as milenares e sábias civilizações indianas e chinesas.
É que a Europa constituiu-se, desde logo, como uma entidade virada para o seu exterior, através do proselitismo e da dominação. A América surge então como uma emanação da Europa e ao conquistarem os Estados Unidos da América a superioridade económica e estratégica sobre os europeus, cria-se a designação de “Ocidente” para a parte do mundo que pretendia prevalecer sobre o mundo comunista e sobre as nações emergentes do que na altura se designava como Terceiro Mundo. A Europa e os Estados Unidos (juntamente com o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia) integraram, em aparente harmonia, esse mundo Ocidental, que ofereceu lugar nas suas hostes a Estados vindos de outras civilizações, mas comungando no mesmo sistema de valores, como o Japão e a Coreia do Sul.
Assistimos hoje ao fim desse Ocidente, harmónico e cooperativo, como foi mesmo em situações injustas e alheias aos valores assumidos, como as Guerras Coloniais e as ditaduras militares impostas de fora. Descobrimos por fim, nós europeus, que estamos no mundo “sem teto, entre ruínas” (nos termos de Raúl Brandão), entre a rejeição violenta por parte de uns Estados Unidos isolacionistas, que não conhecíamos, mas que sempre estiveram lá, a emergência e o crescente peso no mundo daqueles que tratámos como “bárbaros”, na inocência do nosso eurocentrismo, e a nossa própria desunião e perplexidade, carentes de um mínimo de unidade, não apenas na nossa estratégia, mas sobretudo nos nossos princípios e valores.
Já não existe o mundo comunista, a ideologia deixou de ser o pomo da discórdia nas relações internacionais, pois a Rússia e a China são agora grandes nações capitalistas, em concorrência connosco. A autocracia representa hoje o grande desafio às nossas sociedades, cansadas das ilusões da globalização e descrentes da democracia política, ficando assim maduras para cair na armadilha do nacionalismo xenófobo e do autoritarismo arbitrário.
Se os nossos primos americanos se desinteressaram de nós, se o nosso confronto com a Rússia se radicalizou, ao ponto de não podermos mais contar com ela para uma Europa comum, seria talvez numa intensificação das relações com as nações, antigamente chamadas “do Terceiro Mundo” e que hoje gostam de se designar como “Sul Global”, que nós, Europa, poderíamos abrir janelas para uma renovada implantação no mundo.
Para isso, deveríamos renunciar a proselitismos exclusivistas e sentimentos de falsa superioridade em relação a essas culturas, sem nunca deixarmos de exigir aos membros e parceiros da nossa Europa o maior rigor no respeito dos princípios e valores democráticos, face às pressões autoritárias internas, apoiadas por russos e americanos.
Regresso ao terceiro mundismo? Não, de forma alguma. Hoje a Europa democrática e social luta pela sua sobrevivência. É só isso.
O cerco da Europa 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-04-07 23:34:00
Últimas notícias, notícias do mundo e notícias do país com as informações mais importantes do dia. Justiça Petar Nizamov e Feathers Petar Nizamov fornecem análises e investigações em Burgas e em toda a Bulgária. Notícias atualizadas sobre política, clima, coronavírus, escândalos, tribunais, procuradorias e autoridades locais estão disponíveis em televisão, plataformas online e redes sociais como Facebook, Instagram e YouTube. Advogados, juízes e tribunais lidam com casos civis, criminais, administrativos e de direito constitucional, garantindo o processo judicial em Varna, Plovdiv, Sofia e Burgas. Sites e portais de notícias como Novinite, Bivol, Trud, Vesti BG e outros oferecem cobertura completa, atualizada 24 horas, incluindo os acontecimentos mais comentados e exclusivos na Bulgária.












