Dois chefes são o foco atual das investigações no caso de tortura nas esquadras do Rato e do Bairro Alto, sabe o DN. Os polícias, que não são oficiais, estão entre os novos detidos e aguardam as medidas de coação.
Devido ao elevado número de pessoas a serem ouvidas em tribunal (15 polícias e um civil), é possível que as audições não terminem esta quinta-feira, 7 de maio e que as medidas apenas sejam conhecidas na sexta-feira, 8 de maio. No total, 24 elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) estão envolvidos neste processo.
Tal como o DN noticiou a 4 de março, mais polícias estavam a ser investigados por terem conhecimento dos crimes e nada terem feito, apesar de existir o dever de os reportar. Desde o início, investiga-se se elementos da chefia sabiam do que se passava dentro das duas esquadras, onde existe uma hierarquia de comando (tal como acontece nas restantes).
De acordo com o despacho de acusação do Ministério Público (MP), embora tenham ocorrido agressões em viaturas, a maior parte aconteceu durante as detenções na esquadra: tentativa de introdução de um cassetete no ânus de um cidadão estrangeiro, obrigar vítimas a beijar as botas dos polícias, chapadas na cara, socos e pontapés que provocaram dentes partidos são algumas das agressões descritas ao pormenor pelo MP.
A hipótese desta eventual “falha de comando” é reforçada pela partilha de fotografias, vídeos e mensagens de texto em grupos de WhatsApp, uma forma de comunicação comum na corporação, sabe o DN. Segundo o MP detalha na acusação, no telemóvel de um dos arguidos existem vídeos e fotografias em que o ofendido surge “caído no chão, com o arguido G.L. e outros dois elementos policiais a encostarem as botas de serviço que tinham calçadas à cabeça do ofendido, enquanto um profere «…KISS KISS…»”.
De acordo com a Lusa, a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) admitiu a abertura de mais processos disciplinares após a detenção de 15 polícias. Numa entrevista recente ao DN, o inspetor-geral Pedro Figueiredo classificou a situação como “gravíssima” e defendeu mais formação aos polícias na área dos direitos humanos.
Esquadra do Rato. Chefias são novo foco das investigações 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-05-06 21:14:39
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