A cápsula Orion já “dobrou” a Lua e está, tecnicamente, a caminho de casa. Depois de ter atingido o ponto de maior afastamento da Terra e de ter mergulhado num silêncio absoluto de 40 minutos enquanto sobrevoava o lado oculto do satélite, a tripulação da missão Artemis II restabeleceu o contacto com o Centro de Controlo em Houston com uma mensagem carregada de emoção.
“É tão bom ouvir a Terra outra vez”, afirmou a astronauta Christina Koch assim que o sinal rádio foi recuperado. Numa reflexão dirigida aos habitantes do planeta que agora volta a crescer nas janelas da nave, Koch sublinhou a ligação entre os exploradores e a sua origem: “Para a Ásia, África e Oceânia, estamos a olhar para vocês. Ouvimos-vos. Podem olhar para a Lua agora mesmo. Nós também vos vemos”, disse pela rádio.
O espetáculo do “Earthrise” – o “Nascer da Terra” – e os mistérios do lado oculto
Embora as comunicações tenham sido interrompidas às 23:44 desta segunda-feira (hora de Lisboa), o trabalho científico dentro da Orion não parou.
Durante o período de “blackout”, os quatro astronautas testemunharam um dos eventos mais icónicos da exploração espacial: o Earthrise — o “Nascer da Terra” visto da Luz Tal como a tripulação da Apollo 8 em 1968, Wiseman, Glover, Koch e Hansen viram o Planeta Azul erguer-se majestosamente sobre o horizonte lunar — um momento que assinala o início da transição da fase de exploração para a fase de regresso.
Mas houve tempo para mais do que contemplação. A tripulação aproveitou a passagem pelo lado oculto para realizar observações científicas de oportunidade. Os astronautas procuraram flashes de luz distintos na superfície lunar, causados pelo impacto de rochas espaciais (meteoroides) no solo, e documentaram um fenómeno que continua a intrigar os cientistas: a poeira flutuante acima da borda da Lua. Este pó lunar em suspensão, observado durante o nascer da Terra, é um mistério que a NASA espera agora ajudar a resolver com os dados e imagens recolhidos nesta madrugada.
“Nós escolheremos sempre a Terra”
A mensagem de Christina Koch serviu também como um manifesto para o futuro do programa Artemis. “Nós vamos explor qar. Vamos construir naves. Vamos visitar novamente. Vamos construir postos científicos, conduzir rovers, fazer radioastronomia e fundar empresas. Vamos reforçar a indústria e inspirar. Mas, em última análise, escolheremos sempre a Terra. Escolher-nos-emos sempre uns aos outros”, afirmou a astronauta.
Com a manobra de propulsão realizada com sucesso para colocar a nave na trajetória de retorno, a Orion começa agora a ser “puxada” de volta pela gravidade terrestre. O recorde de 406.707 quilómetros de distância pertence agora à História, mas a ciência e as imagens recolhidas durante os minutos de solidão no lado oculto prometem alimentar o conhecimento humano durante décadas.
A Orion tem agora pela frente alguns dias de viagem antes do mergulho final na atmosfera terrestre e da recuperação no Oceano Pacífico. Por agora, a tripulação pode finalmente descansar com a imagem da Terra a tornar-se, minuto a minuto, cada vez maior.
“Nós vemos-vos”: o regresso da Orion começa com um “nascer da Terra” 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-04-07 00:35:51
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