
A semana começou de forma bastante positiva para os mercados, que animaram com o recuar do presidente norte-americano, Donald Trump, nos ataques à infraestrutura energética iraniana.
Estas declarações contrariaram um pouco as perspetivas dos analistas, que apontavam para um início de semana “semi-abalado”. “Arrancamos esta semana com fortes quedas nas bolsas asiáticas (Japão e China -3,5%; Coreia -6,5%…) e elevação das yields das obrigações, ca.+15/20 p.b. como tom geral. A escalada da guerra no Irão nas últimas horas é responsável por isso, com represálias e contrarrepressálias numa guerra completamente aberta que só terminará com a neutralização militar absoluta do Irão”, referem os analistas do Bankinter.
As perspetivas vinham no seguimento do ultimato que Donald Trump fez ao Irão, exigindo que o Estreito de Ormuz fosse aberto, sob possíveis ataques às suas infraestruturas essenciais.
Contudo, o recuo deu ânimo aos mercados. Que também foram surpreendidos por declarações do presidente norte-americano a afirmar que os Estados Unidos estão a negociar com o Irão, afirmando que as tiveram “conversas muito boas e produtivas sobre uma total completa resolução para as hostilidades no Médio Oriente”.
Estas declarações foram acompanhadas por uma garantia de que o Estreito de Ormuz abrirá em breve, e que terá gestão conjunta. Perante estas declarações o petróleo já começou a baixar, contudo o Brent ainda é negociado acima dos 90 dólares.
“O Brent mantém-se próximo de máximos recentes, refletindo um choque de oferta significativo que começa a pressionar a inflação, enquanto vários países tentam mitigar o impacto do aumento dos preços da energia. Em contraciclo com o seu estatuto de refúgio, o ouro e a prata caem, pressionados pela necessidade de liquidez e pela subida das expectativas de taxas de juro. Os mercados começam assim a ajustar-se a um cenário de conflito mais prolongado, com implicações mais duradouras para a inflação e para a trajetória da política monetária”, afirma o analista da ActivTrade Europe, Henrique Valente.
Contudo, o Irão veio desmentir estas conversações, e acusou o presidente norte-americano de pretender “manipular os preços do crude”.
O analista Matthew Ryan, da Ebury, aponta que “o Irão está a provar ser um osso mais duro de roer do que Trump tinha previsto e, com o conflito a expandir-se muito para além dos objetivos iniciais, poderá estar à procura de uma saída para limitar as consequências da guerra para os americanos antes das eleições intercalares deste ano”.
Os analistas do Bankinter salientam que “entramos na quarta semana da guerra e o mercado já exige com alguma ansiedade um ponto claro da situação em relação aos objetivos alcançados (neutralização absoluta das capacidades militares do Irão?) assim como alguma orientação sobre a provável evolução dos acontecimentos, particularmente em relação ao petróleo. Sem isso, é improvável que o tom melhore”.
Recuar nos ataques ao Irão leva mercados ao ‘verde’ 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-03-24 06:48:54
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