„Vamos por toda a Humanidade”, disse o comandante Reid Wiseman aquando do lançamento da Artemis II. O astronauta americano, bem como os colegas Christina Koch, Victor Glover e o canadiano Jeremy Hansen, fez história ao integrar a primeira missão tripulada à Lua em mais de meio século. Mas se a imensidão silenciosa do espaço apela à reflexão e nos recorda a nossa insignificância e desafios comuns enquanto terráqueos, não tenhamos ilusões: o espaço volta hoje a ser palco de uma corrida entre potências, com a China o ocupar o lugar que já foi da União Soviética na disputa com os EUA pela liderança.
Do peluche criado por um menino de 8 anos, e que serve aos astronautas como indicador de gravidade zero, tendo-se tornado protagonista dos muitos vídeos que partilharam no X, às infografias sobre a trajetória em oito que os levou ao ponto mais afastado da Terra alguma vez visitado por um ser humano e de volta, passando pelos problemas nos lavabos da nave ou pelos cocktails de camarão em vácuo, confesso ter sido com entusiasmo quase infantil que segui as aventuras da Artemis II. Tal como uma boa parte da Humanidade, sustive a respiração durante aqueles 41 minutos em que a NASA perdeu o contacto com a capsula Orion enquanto esta passava por trás da Lua, apenas para respirar de alívio quando as comunicações voltaram e Christina Koch soltou um sentido: “É tão bom ouvir a Terra outra vez.”
I'm floating around keeping an eye on all the cool science happening on Artemis II!
My besties are conducting research on human health, observing the Moon's surface, and collecting data that will help prepare us for longer missions in space. -Rise pic.twitter.com/sOedql897D
— NASA Artemis (@NASAArtemis) April 8, 2026
A Artemis II deverá regressar na madrugada desta sexta-feira, 10 de abril, para sábado ao nosso planeta, mas o trabalho para a NASA está apenas a começar, se quer voltar a colocar um homem (uma mulher?) na Lua já em 2028. A confirmar-se esse marco, irão seguir-se viagens a cada seis meses até ao satélite da Terra, onde a América prevê construir uma base, tendo para tal um plano em três fases.
Tudo isto num contrarrelógio para evitar que a China chegue primeiro. Até hoje só 12 homens – todos americanos – pisaram a Lua e, além de EUA e União Soviética/Rússia, só três outros países realizaram algum tipo de alunagem (não-tripulada): Japão, China e Índia. Mas são os chineses os grande concorrentes dos americanos. Se a Artemis II foi a missão a passar mais perto e a primeira a recolher imagens do lado oculto da Lua, Pequim já ali enviara um módulo em 2024.
EUA e China estão ambos empenhados em construir uma base junto ao polo sul onde possam extrair recursos, como água congelada, hidrogénio e hélio. Cada um pretende construir reatores nucleares para abastecer as suas bases e cada um pretende lançar missões a partir da Lua e aventurar-se mais longe no espaço.
Ora podemos estar, neste momento, a viver uma era de competição, mas se a Humanidade quer mesmo chegar a Marte e, quem sabe, mais além, será certamente mais fácil se cooperar. E a História já mostrou que, no espaço, mesmo os mais acérrimos rivais podem trabalhar em conjunto. Como os russos e americanos, que continuaram a cooperar na Estação Espacial Internacional depois da invasão da Ucrânia em 2022.
No silêncio do espaço há uma corrida entre potências 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-04-09 23:45:00
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