
Com base no estudo “Intelligent Banking” da KPMG (abril de 2026) a banca vive um paradoxo entre o investimento massivo e o retorno estratégico.
A Inteligência Artificial (IA) está a ganhar um papel cada vez mais central no setor bancário, impulsionando ganhos de eficiência operacional e começando a redefinir a competitividade das instituições financeiras. No entanto, apesar do forte investimento nesta tecnologia, apenas uma minoria dos bancos consegue convertê-la em valor estratégico e crescimento de receita.
Segundo o estudo, 70% dos bancos globais estão a aumentar o orçamento para IA mas apenas 20% das instituições conseguem converter esse dinheiro em crescimento de receita ou diferenciação competitiva de mercado.
No entanto 80% dos executivos admitem que quem não dominar a IA agora perderá toda a vantagem competitiva a curto prazo.
A conclusão é do novo estudo global da KPMG, Intelligent Banking: A blueprint for creating value through AI-driven transformation, que analisa a otimização da IA aplicada à banca. Um estudo que ouviu quase 1.400 líderes globais. A análise resulta de um programa de investigação global conduzido pela KPMG, que combinou metodologias quantitativas e qualitativas. O estudo baseia-se num inquérito realizado a 1.390 decisores de topo em vários mercados e setores, dos quais 183 pertencem especificamente ao setor bancário.
De acordo com o estudo, 51% dos executivos bancários acreditam que a IA está a reconfigurar estruturalmente os seus negócios, enquanto 80% defendem que os bancos que adotarem esta tecnologia conquistarão, no futuro, uma vantagem competitiva significativa, posicionando o setor num ponto de inflexão decisivo. Embora o investimento cresça, os bancos enfrentam desafios estruturais como a segurança de dados e a necessidade de passar de iniciativas isoladas de back-office para uma integração transversal que impulsione o crescimento.
Para Rodrigo Lourenço, Partner Head of Financial Services da KPMG em Portugal, o setor vive um momento decisivo.
“A banca está claramente num ponto de inflexão. Este estudo mostra-nos que a maioria das instituições já investe, já testa e já obtém ganhos de eficiência, mas ainda não consegue transformar a IA num verdadeiro motor de crescimento e diferenciação”. O responsável destaca ainda que o grande desafio passa agora por deixar para trás iniciativas isoladas e avançar para uma integração transversal da IA em todo o negócio.
“A situação do setor em Portugal é em tudo idêntica ao panorama global: alguns bancos estão ainda numa fase inicial de implementação de IA, muito focada em otimização operacional, enquanto outros estão em franca aceleração da adoção desta tecnologia como um fator estrutural de competitividade”, acrescenta.
Investimento cresce, mas persistem obstáculos
Apesar da aceleração do investimento, o setor financeiro enfrenta desafios estruturais que dificultam a adoção da IA em larga escala. Entre os principais entraves identificados pela KPMG estão a segurança e privacidade dos dados; a dificuldade em medir o retorno do investimento; a existência de silos de dados e sistemas legados; problemas de qualidade e consistência da informação; e limitação de tempo e recursos.
A estes fatores soma-se uma abordagem cautelosa por parte das instituições financeiras, influenciada pelo enquadramento regulatório e pela necessidade de assegurar transparência e confiança nos processos automatizados.
Atualmente, a IA está sobretudo concentrada em funções de back-office e otimização operacional, como deteção de fraude; compliance; análise de dados; automação documental; e apoio ao atendimento ao cliente.
Mas a KPMG sublinha que o verdadeiro potencial da tecnologia está em aplicações de maior impacto estratégico, nomeadamente na personalização avançada da experiência do cliente; na otimização de jornadas completas; e na criação de novos modelos de negócio baseados em ecossistemas digitais.
O estudo propõe um modelo de transformação dividido em três fases de maturidade para a construção do chamado “banco inteligente”.
Uma fase inicial (Enable) focada na criação de estratégia de IA, identificação de casos de uso, literacia tecnológica, alinhamento regulatório, definição de princípios éticos e lançamento de projetos-piloto. Uma segunda fase (Embed) de integração da IA em processos, produtos e fluxos de valor, incluindo redesenho da força de trabalho, requalificação de competências, modernização de sistemas legacy, uso de cloud e valorização dos dados. Por fim uma terceira fase (Evolve) de transformação contínua do modelo de negócio, com integração de novas tecnologias para responder aos desafios emergentes do setor.
Segundo a KPMG, a maioria dos bancos encontra-se atualmente entre as fases Enable e Embed, ainda longe de uma transformação plena, mas já com sinais claros de evolução.
O sucesso da transformação baseada em IA depende, segundo o estudo, de três pilares fundamentais. De dados de qualidade e bem governados, para suportar decisões fiáveis; da confiança, garantida através de práticas robustas de ética, segurança e compliance; e da capacitação das pessoas, com formação contínua e redefinição de funções.
Neste contexto, a Inteligência Artificial surge não apenas como uma ferramenta tecnológica, mas como um verdadeiro catalisador de mudança organizacional, exigindo novos modelos de liderança, maior colaboração transversal e uma cultura orientada para a experimentação.
IA transforma a banca, mas impacto ainda está centrado na eficiência, revela estudo da KPMG 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-04-09 10:59:37
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