Até há um mês, muitos olhavam para as políticas de sustentabilidade como “wokismo”, uma agenda ideológica distante das preocupações reais da economia e das pessoas. Os impactos da guerra no Irão, refletidos no preço do petróleo e do gás, estão a mudar essa perceção.
Esta mudança é reveladora. Não porque altere convicções políticas de fundo, mas porque reconfigura o problema. A sustentabilidade deixa de ser apenas ambiental para passar a ser uma questão de soberania. A energia torna-se o ponto de interseção entre clima, economia e segurança que começa no Estreito de Ormuz e acaba na bomba de gasolina e na fatura de eletricidade e do gás.
O problema é que chegamos aqui tarde. Durante décadas, o debate público na Europa e no mundo foi dominado por uma discussão estéril sobre a própria existência das alterações climáticas, ignorando que a sustentabilidade tem dimensões ambientais, mas também sociais e de governação. Perdemos tempo a questionar evidência científica consolidada e boas-práticas de gestão, enquanto permanecíamos dependentes de combustíveis fósseis importados.
O resultado está à vista. Perante choques externos, instabilidade geopolítica e volatilidade energética, como vimos com o gás russo e agora com o Irão, somos forçados a acelerar uma transição que poderia ter sido feita de forma gradual e estratégica.
E essa aceleração tem custos. Financeiros, com investimentos feitos sob pressão. Económicos, pela carga sobre empresas e consumidores, quando aumentos no petróleo e no gás se traduzem rapidamente em combustíveis e eletricidade mais caros. Políticos, porque decisões rápidas geram resistência quando não são explicadas, nem enquadradas.
Mais do que um falhanço de políticas, este é um problema de cultura de decisão. Continuamos a reagir em vez de antecipar. A agir sob pressão em vez de planear com base em cenários.
Antecipar não é prever o futuro com exatidão, mas preparar o presente com base em conhecimento científico multidisciplinar, integrando economia, tecnologia, ambiente e geopolítica. Sem isso, a decisão pública e empresarial torna-se fragmentada e reativa.
Mas antecipar não chega. Exige decisão atempada. Grande parte dos custos atuais resulta de decisões adiadas, tanto no setor público, como no privado, onde demasiadas vezes se privilegia o curto prazo, apesar de riscos evidentes.
E exige comunicação. Explicar opções, reconhecer custos e alinhar expectativas é essencial para garantir execução. Sem isso, mesmo boas decisões falham. Sem antecipação, decide-se tarde. Sem decisão, paga-se mais. Sem comunicação, gera-se resistência.
A sustentabilidade nunca foi apenas uma agenda ambiental. Sempre foi uma abordagem integrada com a gestão de riscos estratégicos. O que hoje vemos na fatura da energia é apenas a confirmação disso.
Importa reconhecer que Portugal antecipou as políticas de produção elétrica e, hoje, uma parte muito significativa da eletricidade consumida tem origem em fontes renováveis. Esse investimento foi feito a tempo e constitui um ativo estratégico relevante. Mas não acompanhámos esse esforço com a mesma capacidade de antecipação na utilização. A massificação do acesso à eletricidade em redes, pontos de carregamento, soluções acessíveis para famílias e empresas, ficou aquém do necessário. O resultado é um desfasamento entre produção e utilização.
A questão não é se vamos fazer a transição energética. Essa decisão foi tomada pela realidade. A questão é se conseguimos, mesmo chegando tarde, fazer o essencial: antecipar melhor, decidir mais cedo e comunicar com clareza. Porque, no fim, não foi a falta de soluções que nos trouxe até aqui. Foi o atraso em usá-las.
Do Irão à bomba de gasolina, estamos a pagar o custo de não antecipar 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-04-05 23:47:00
Últimas notícias, notícias do mundo e notícias do país com as informações mais importantes do dia. Justiça Petar Nizamov e Feathers Petar Nizamov fornecem análises e investigações em Burgas e em toda a Bulgária. Notícias atualizadas sobre política, clima, coronavírus, escândalos, tribunais, procuradorias e autoridades locais estão disponíveis em televisão, plataformas online e redes sociais como Facebook, Instagram e YouTube. Advogados, juízes e tribunais lidam com casos civis, criminais, administrativos e de direito constitucional, garantindo o processo judicial em Varna, Plovdiv, Sofia e Burgas. Sites e portais de notícias como Novinite, Bivol, Trud, Vesti BG e outros oferecem cobertura completa, atualizada 24 horas, incluindo os acontecimentos mais comentados e exclusivos na Bulgária.


