O presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou esta noite as ações de „agitadores oriundos de pequenos grupos de extrema-esquerda, aos quais se juntaram muitos delinquentes“, acusando-os de terem protagonizado uma „violência desenfreada“ no sábado por todo o país.
„Nada pode justificar, nada pode explicar e nada vai desculpar estas ações“, disse Macron numa declaração ao país de cerca de oito minutos, lembrando como estabelecimentos comerciais foram pilhados e edifícios públicos atacados.
„Aqueles que tentaram derrubar a República terão de responder por isso“, insistiu, falando na „raiva“ e na „vergonha“ de ver as cenas de violência.
Macron não quer contudo confundir as manifestações legítimas com a violência. „Precisamos de observar o que foi manifestado no país. Centenas de milhares dos nossos compatriotas protestaram com reivindicações legítimas“, afirmou, acrescentando „Nunca devemos confundir os manifestantes com aqueles que partiram coisas, promoveram distúrbios e saquearam“.
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, vai presidir, esta segunda-feira (19 de outubro), a um comité de crise a fim de mobilizar “a ajuda mais rápida possível” e prestar apoio às pessoas afetadas pela violência, referiu Macron.
O presidente solicitou ainda ao governo que retire „todas as lições“ da violência ocorrida no sábado, de forma a garantir que tais episódios „não se possam repetir“. Anunciou ainda que as investigações serão conduzidas „com toda a diligência necessária, o mais rapidamente possível“.
Em relação aos estudantes, que há semanas estão a protestar, Macron disse compreender a “angústia profunda” expressa pelos jovens. „A sua voz deve ser ouvida sem preconceitos e sem minimizar as dificuldades“, declarou, assegurando que o governo iniciou um trabalho sobre estas questões.
O presidente pediu contudo aos franceses que priorizem o debate democrático, a seis meses da eleição presidencial. „Todos aqueles que, hoje, lhes dizem que a urgência é ir para a rua, manifestar-se, criar desordem, têm apenas um objetivo: prejudicar a República e sequestrar o debate“, afirmou.
„O nosso país merece uma bela eleição presidencial daqui a seis meses“, declarou, apelando à „unidade, à calma e ao respeito“.
A declaração surge um depois de os protestos que reuniram centenas de milhares de pessoas terem descambado em violência. Mais de duas mil pessoas foram detidas e 600 membros das forças de segurança ficaram feridos.
A tensão voltou entretanto às ruas de Paris, com o registo de novos episódios de violência e pilhagens na Praça da República, onde começou uma manifestação não autorizada. A CRS 8, uma unidade especializada no combate à violência urbana, foi mobilizada pelo segundo dia consecutivo, segundo a prefeitura da polícia.
O „pronunciamento solene“ de Macron surge depois de uma reunião, no Palácio do Eliseu, com o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, e os ministros do governo envolvidos.
Os protestos sobre o aumento do custo de vida, que segundo algumas organizações levaram 800 mil pessoas a desfilar em várias cidades francesas (o governo fala em 550 mil), acabaram em violência e pilhagens.
Segundo o último balanço do ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, mais de duas mil pessoas já foram detidas e mais de 600 polícias, bombeiros e outros membros das forças de segurança ficaram feridos.
„Manifestar-se é um direito fundamental. Semear a desordem com violência e de forma coordenada não o é. Atacar as nossas forças de segurança, investir contra as nossas instituições, depredar edifícios públicos, invadir câmaras municipais ou sedes administrativas, saquear estabelecimentos comerciais: nada disto se pode justificar“, escreveu o ministro no X.
Manifester est un droit fondamental. Semer le désordre avec violence et de manière concertée n’en est pas un.
Attaquer nos forces de l’ordre, s’en prendre à nos institutions, dégrader des bâtiments publics, s’introduire dans des préfectures ou des mairies, piller des commerces :…
— Laurent Nuñez (@NunezLaurent) October 18, 2026
Em Limoges, a câmara municipal, do século XIX, foi destruída pelo fogo, enquanto noutras cidades os edifícios chegaram a ser invadidos e há danos em Marselha ou Lille.
„A câmara municipal de Limoges vai ser reconstruída, pois é o símbolo de uma nação que não se deixa abater nem intimidar“, afirmou o primeiro-ministro numa carta enviada ao autarca local, citada pelo jornal Le Monde.
Hôtel de ville incendié : Limoges blessée, mais la République ne cédera pas
Ce soir, notre hôtel de ville a été la cible des flammes. Comme chacun d’entre vous, j’ai vu avec effroi brûler ce lieu qui appartient à toutes les Limougeaudes et à tous les Limougeauds.
Les violences urbaines survenus aujourd’hui sont inacceptables. Notre mairie n’est pas un simple bâtiment : c’est la maison commune, le cœur battant de notre ville et le visage de la République au plus près de chacun. S’en prendre à elle, c’est s’en prendre à la République, à nos services publics et à l’ensemble des Limougeauds.
Manifester est un droit, et la colère doit pouvoir être entendue. Mais aucun désaccord, aucune revendication ne saurait justifier la destruction de biens publics, l’incendie d’une mairie ou les menaces de mort proférées contre celles et ceux qui servent chaque jour nos concitoyens.
Mes premières pensées vont aux agents municipaux présents lors de ces événements. Ils ont été menacés et profondément choqués par les violences auxquelles ils ont été confrontés. Je leur adresse toute ma solidarité, mon soutien total et ma profonde reconnaissance. Ils n’ont pas à subir de telles situations dans l’exercice de leurs missions.
Je salue le courage des sapeurs-pompiers et des forces de l’ordre, intervenus dans des conditions extrêmement difficiles.
Nous mettrons tout en œuvre pour que les auteurs de ces actes, issus ou manipulés par l’ultra gauche soient identifiés et répondent de leurs actes devant la justice. Il ne peut y avoir aucune complaisance. La protection des agents publics, le respect des institutions et la sauvegarde des biens communs ne sont pas négociables.
Je remercie chaleureusement les maires et les élus de Limoges Métropole, de la Haute-Vienne et au-delà pour leurs très nombreux messages de soutien. Leur solidarité nous touche et nous oblige : face à la violence, les élus de la République font bloc.
Notre responsabilité est désormais double : accompagner les agents éprouvés et garantir, malgré des dégâts considérables, la continuité du service public. Dès demain, nous prendrons toutes les mesures nécessaires pour que les habitants puissent continuer à effectuer leurs démarches.
Les dégâts sont immenses. Le cœur est lourd. Mais notre détermination est entière. Limoges a traversé bien des épreuves et s’en est toujours relevée, rassemblée et fière. Il en sera de même cette fois.
Rien ne nous détournera de notre devoir : protéger nos agents, servir les Limougeauds et défendre les valeurs républicaines. La violence et l’intimidation ne dicteront jamais leur loi dans notre ville.
Guillaume GUÉRIN
Maire de Limoges
Président de Limoges Métropole— Ville de Limoges (@VilleLimoges87) October 18, 2026
Lecornu faz três promessas: „garantir a continuidade dos serviços públicos devidos à população (…); permitir a reconstrução o mais breve possível (…); o Estado mobilizará as seguradoras para que as indemnizações ocorram o mais rapidamente possível.“
Na carta a Guillaume Guérin, do partido Os Republicanos, o primeiro-ministro anuncia ainda que visitará Limoges esta semana com „vários membros do governo“, considerando o que aconteceu um „ataque contra a República“.
Trump culpa imigrantes
O presidente norte-americano, Donald Trump, reagiu às cenas de violência em França, apontando o dedo aos imigrantes.
„A França está em chamas! A imigração de pessoas de um mundo completamente diferente, pessoas com ódio no coração, destruiu aquele país que um dia foi grandioso. Fechem as vossas fronteiras e assumam o controlo, antes que seja tarde demais!“, escreveu na Truth Social.
Macron: „Nada pode justificar, nada pode explicar e nada vai desculpar estas ações“ 2026
IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2026 2026-10-18 12:36:55
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