
O Sindicato dos Trabalhadores das Telecomunicações (STT) esclareceu esta segunda-feira que a referência a 1.200 saídas na MEO não corresponde a um novo processo de despedimentos, mas ao somatório das adesões ao Programa de Saídas Voluntárias em curso desde 2025, que já totaliza cerca de 1.000 saídas até ao início de junho de 2026.
Numa nota enviada à imprensa, o STT reage a notícias publicadas no jornal Público no dia 13 de junho, sublinhando que o número divulgado “não corresponde a mais 1.200 saídas novas, nem a um novo processo autónomo”.
“O programa tem vindo a desenvolver-se ao longo de 2025 e primeiro semestre de 2026, tendo já originado cerca de 1000 saídas até 1 de junho de 2026, pelo que o valor agora referido resulta da soma das adesões e saídas que já ocorreram, podendo ainda verificar-se algumas saídas adicionais até ao final do ano”, explica o sindicato.
O esclarecimento surge na sequência de um despacho do Secretário de Estado que atribui à MEO o estatuto de empresa em reestruturação até 30 de junho de 2026. Este enquadramento permite o acesso ao subsídio de desemprego em rescisões por mútuo acordo num número superior ao limite legal (80 trabalhadores por triénio para uma empresa da dimensão da MEO).
O STT solicitou ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) uma cópia do despacho e respetivo enquadramento, mas ainda não obteve resposta. Segundo o sindicato, a empresa terá pedido a prorrogação do estatuto até ao final do ano, sem que haja, para já, decisão conhecida.
“Para que não fiquem dúvidas, o despacho não significa por si só a existência de 1200 novas saídas, nem legitima nenhum mecanismo ilimitado, pelo contrário, limita no tempo e no número”, afirma o STT.
O sindicato, que representa trabalhadores no setor das telecomunicações, critica a diminuição de efetivos na MEO — empresa com mais de 100 anos de história em Portugal e antiga Portugal Telecom —, considerando que “põe em causa a qualidade de serviço e o futuro” da operadora. No entanto, reconhece que o processo tem enquadramento jurídico e tem sido negociado.
O STT alerta ainda para os custos públicos envolvidos: embora as saídas gerem encargos para a Segurança Social, as indemnizações acima do limite de isenção implicam retenção na fonte de IRS, gerando receita adicional para o Estado.
“O STT considera essencial que a informação prestada, quer aos trabalhadores quer à opinião pública, seja rigorosa e completa, evitando leituras alarmistas e simplistas”, conclui a nota, datada de hoje.
A MEO tem vindo a implementar, nos últimos anos, planos de redução de custos e reestruturação, num contexto de transformação digital do setor das telecomunicações, forte concorrência e pressão sobre margens operacionais.
O STT garante que continuará a acompanhar o processo “na defesa da verdade e dos direitos e interesses dos trabalhadores que representa”.
Sindicato esclarece que “1.200 saídas” na MEO correspondem a total acumulado de programa voluntário iniciado em 2025 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-06-15 16:49:26
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