A economia portuguesa tem “um tecido empresarial composto por demasiadas pequenas e médias empresas”, que sofrem com falta de capital, dificuldade em atrair talento e aceder a crédito “menos oneroso”, empresas que assim “não conseguem explorar todo o seu potencial, uma situação que se designa por SME trap [armadilha de PME, traduzindo do inglês]”, declarou o Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, José Maria Brandão de Brito.
Na intervenção de encerramento da conferência “M&A – Consolidar para Crescer”, organizada pelo Diário de Notícias (DN) e pela consultora PwC, que decorreu em Lisboa, esta quarta-feira, 22 de abril, o governante da equipa das Finanças, ministério liderado por Joaquim Miranda Sarmento, disse que “temos um caminho a percorrer em matéria de produtividade, porque estamos cerca de 20% abaixo da média europeia, sendo que nos últimos 15 anos a produtividade do trabalho em Portugal cresceu menos de 10%, o que compara com os mais de 30% de crescimento médio dos restantes países da coesão”.
Segundo Brandão de Brito, “parte da explicação residirá na fragmentação do nosso tecido empresarial, em que as micro, pequenas e médias empresas empregam mais de 75% da força de trabalho, contra menos de 60% nos Países Baixos, Luxemburgo ou Irlanda, para citar alguns dos países no top cinco em termos de produtividade por trabalhador na União Europeia”.
Para o economista, isto “poderia ser apenas correlação e não causalidade, mas sabemos que empresas maiores beneficiam de economias de escala, suportam menor risco na expansão e internacionalização da atividade – em particular no crescimento inorgânico –, têm maior facilidade em atrair talento e acesso a financiamento mais fácil e menos oneroso”.
E, continuou, os números “são ilustrativos”.
Segundo o secretário de Estado, “as grandes empresas em Portugal empregam apenas cerca de 20% dos trabalhadores, mas produzem quase 40% do valor acrescentado bruto do setor empresarial – ou seja, são duas vezes mais produtivas do que o conjunto das micro, pequenas e médias empresas”.
Os dados mostram também que as empresas grandes “pagam melhor, e não estamos só a falar de salários mais altos, estamos a falar também de estruturas de carreira mais desenvolvidas e de menor precariedade laboral”.
É preciso mais dinheiro para investir
A solução para o membro do governo liderado por Luís Montenegro passa por encontrar e captar mais dinheiro para investir mais e melhor.
“Mais produtividade implica mais e melhor investimento. São as médias e grandes empresas que mais investem em inovação, digitalização e ativos intangíveis, com efeitos de arrastamento sobre o resto da economia”, sendo que esta “maior competitividade internacional” é algo que “se reflete no peso que as grandes empresas têm nas exportações: quase 70%”.
Este valor “compara com os já mencionados 40% de contributo para o Produto Interno Bruto (PIB)”, e serve para ilustrar o “papel fundamental [das empresas competitivas e exportadoras] para a resiliência externa e para a redução de défices estruturais” do país, uma economia que depende imenso das importações, veja-se o caso da alta tecnologia, maquinaria, energia, etc.
Assim, continuou Brandão de Brito, é preciso “fazer as empresas portuguesas crescer”.
“Melhor dizendo, e pondo-me na perspetiva do Governo, como fazer para que o Estado não obstaculize este crescimento”.
Aqui chegados, disse, “não falta literatura económica a versar sobre este assunto, que aliás já mereceu vários prémios Nobel. Um dos laureados, Jean Tirole, mostrou como incentivos, regulações e estruturas de mercado mal desenhadas podem amplificar aqueles que são já os desafios inerentes ao crescimento das empresas. Elas sobrevivem, mas não escalam, fragmentando-se artificialmente e suprimindo investimento, mesmo quando crescer seria socialmente eficiente”, referiu o secretário de Estado do Orçamento.
“O resultado é um tecido empresarial composto por demasiadas PMEs que não conseguem explorar todo o seu potencial, situação que se designa por SME trap. É o caso de Portugal”, alertou, como já referido.
Brandão de Brito, das Finanças: Portugal vive numa “armadilha de PMEs” 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-04-22 11:36:55
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