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Pesadelo da estagflação volta a espreitar. Como travá-la 2026

Юстиция Иванова by Юстиция Иванова
Março 20, 2026
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Site de jornalismo investigativo com investigações aprofundadas, histórias de interesse público, notícias e reportagens jornalísticas selecionadas

Uma seleção de artigos investigativos e publicações jornalísticas. A imagem destaca o foco do site no jornalismo investigativo e em temas de interesse público.

Pesadelo da estagflação volta a espreitar. Como travá-la 2026 donald trump a última grande prova de vida da “estagflação” à escala global remonta à década de 70. No entanto, a cada nova crise... Iustitia. Bg pesadelo da estagflação volta a espreitar. Como travá-la 2026 2026-03-20 07:05:16 justiça - iustitia. BgA última grande prova de vida da “estagflação” à escala global remonta à década de 70. No entanto, a cada nova crise nos últimos anos, esta rara combinação entre preços elevados e quebra da atividade económica vai voltando a espreitar. E não faltam vozes, por estes dias, a avisar para a possibilidade, tendo em conta a paralização do Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico do comércio internacional e do abastecimento de petróleo.
“O risco de estagflação parece bastante alto para os Estados Unidos”, afirmou Joseph Stiglitz esta semana em entrevista à agência AFP. Aliás, o Nobel da Economia vai até mais longe, dizendo que antes dos primeiros ataques ao Irão, no final de fevereiro, já os EUA estavam “perto” desse cenário.
Jerome Powell discorda. O presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed) diz estar preocupado e reconhece que é “uma situação muito difícil”, mas sublinha que “ninguém sabe qual será o efeito económico do conflito no Médio Oriente” e que a estgflação “é uma palavra da década de 70, não o que se está a passar“. Powell prefere reservar este conceito “para um conjunto mais grave de circunstâncias”, disse em conferência de imprensa, citado pela Reuters.
Em Bruxelas, Valdis Dombrovskis, o comissário responsável pela pasta da Economia, tinha já sinalizado este receio. O impacto da guerra, disse, “vai depender largamente da duração e da sua abrangência”. Se tiver um arrastamento no tempo, “com interrupções no transporte de petróleo e na produção de petróleo e gás, isso pode criar um choque de estgaflação na economia europeia”.

As eleições dos EUA
O fator tempo é determinante, concorda o economista Pedro Braz Teixeira. “O risco existe”, mas “tudo depende da duração deste conflito”, sublinhou ao Jornal Económico. “Se a guerra se prolongar, a subida dos preços do petróleo vai continuar e isso vai começar a refletir-se nos outros preços”, podendo afetar a atividade económica.
O economista do Fórum para a Competitividade considera, no entanto, que há razões para acreditar que o conflito não se vai arrastar. “É um bocado impensável chegarmos ao verão e ainda estarmos com o conflito”, afirma, uma vez que os EUA estarão “a poucos meses de eleições” intercalares, que se realizam em novembro.
Uma crise com preços elevados na energia “prejudicaria imenso” o presidente norte-americano, considera Braz Teixeira, “porque os consumidores norte-americanos são altamente sensíveis ao preço da gasolina”, que tem “muito menos impostos e, portanto, varia muito mais com o preço do petróleo bruto”. Como “a maior parte dos americanos vive em zonas em que não há transportes públicos”, qualquer subida acentuada dos preços terá um efeito considerável.
Trump, diz Braz Teixeira, vai querer evitar esse cenário para não perder poder nas duas câmaras do Congresso, onde os republicanos têm, para já, maioria. “Não dá para acreditar que Trump vá cometer o erro de prolongar a guerra”. O cenário “mais racional” é que “não dure muito tempo”, embora note que o presidente dos EUA “não se tem especializado em atitudes racionais”. E, ressalva que, mesmo num cenário em que EUA recuem, “o Irão pode continuar com o Estreito [de Ormuz] fechado” como forma de retaliação.
Já Pedro Bação, economista da Universidade de Coimbra, admite que a existência dessas eleições no horizonte “possa influenciar as decisões” do presidente dos EUA, dependendo do contexto”, mas considera que “não será certamente o único fator”. Da mesma forma que “um choque petrolífero não ocorre necessariamente sozinho”, podendo em simult|âneo acontecer “outras flutuações que compensem ou agravem o efeito do choque”.

Portugal exposto
Braz Teixeira recorda que Portugal “é dos países europeus que depende mais de importações de energia, na ordem dos 60%”, estando, por isso, particularmente exposto a esta crise. E, complementa Pedro Bação, “quem é mais importador de petróleo é quem sofre mais”. O preço mais elevado “significa que com a mesma produção interna passam agora a importar menos do resto do mundo e isso, fatalmente, traduz-se numa perda de rendimentos” a nível interno. A questão fundamental, diz, será perceber “como é que cada sociedade vai repartir os custos — se reparte entre a população presente ou se reparte entre a população presente e a população futura, através da dívida”. Esses são “os desafios que se vão colocar para os decisores de política económica dos países afetados pela subida”, se a guerra se prolongar.
Por outro lado, ressalva ainda, falta perceber se haverá “fenómenos que compensem o aumento do custo do petróleo”, como, “ganhos significativos na produção de energias alternativas” ou “novos fornecedores com disponibilidade para cobrir falhas de fornecimento”.

BCE já revê crescimento
Perante a grande incerteza que rodeia este crise, o Banco Central Europeu decidiu esta quinta-feira manter os juros inalterados. A entidade liderada por Christine Lagarde avisa ainda que pode haver uma subida da inflação. O cenário base aponta para 2,6% este ano, mas dependendo de potenciais cortes na oferta de petróleo e da sua duração, o valor pode saltar para 3,5% ou 4,4%.
Em termos macroeconómicos, o crescimento da economia do euro já foi revisto em baixa. Está previsto agora que o Produto Interno Bruto (PIB) suba apenas 0,9%.
O Fundo Monetário Internacional, por outro lado, alertou que uma subida de 10% no preço do petróleo significa mais 0,4 pontos percentuais de inflação a nível global. Ao mesmo tempo, indica ainda a entidade liderada por Kristalina Georgieva, pode diminuir o crescimento económico mundial até 0,2%.

Pesadelo da estagflação volta a espreitar. Como travá-la 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-03-20 07:05:16

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