O surgimento de um homem a empunhar uma bandeira de Israel na praça D. Pedro IV, no Rossio, desencadeou cenas de alta tensão na manifestação desta quarta-feira, 21 de outubro, do movimento Acampada de Lisboa.
A situação levou a confrontos entre manifestantes e o homem, tendo a polícia sido obrigada a intervir, num momento em que as tendas estavam a ser montadas.
Na sequência dos incidentes, a estação de metro do Rossio foi encerrada.
Ao longo dos últimos dias, vários manifestantes têm empunhado bandeiras da Palestina durante os protestos.






Os manifestantes do movimento Acampada de Lisboa decidiram pernoitar na praça D. Pedro IV durante a madrugada desta quinta-feira.
A medida foi aprovada com 190 votos a favor e 270 abstenções.
Cerca das 00h40 a maioria dos manifestantes que tinha ainda tendas montadas optou por retirá-las, após pedido da polícia.
Por essa hora, um porta-voz do movimento disse aos manifestantes que seria prudente não organizar um cordão humano — como chegou a ser ponderado — porque tal iria levar a intervenção policial.
Cerca da 1h00, em votação popular, venceu a opção de os manifestantes desmontarem as tendas quando a PSP tal lhes ordenar e dormirem “em conchinha” (sic) nos sacos cama que levaram.
Uma “aconchada”, chamaram, já não uma acampada.
Confusão do Lask com “extrema-direita”
Cerca de meia hora antes houve um momento que se revelou insólito, quando os manifestantes se sentiram ameaçados por um grupo de pessoas “vestidas de negro” que passaram pelo local.
Identificados como membros de “extrema-direita”, os manifestantes iniciaram em resposta cânticos anti-governo e outros.
No entanto, a PSP acabou por identificar este grupo como sendo adeptos do Lask, a equipa de futebol austríaca que derrotara, em Alvalade, o Sporting por 2-3 para a Liga dos Campeões e se dirigia para a zona do Bairro Alto para passar o serão.
Cânticos ao início da noite
Antes do início da Assembleia Popular, às 20h30, foram entoados cânticos de “a praça é nossa e há de ser, a praça é nossa até morrer”.
A intervenção de um participante a prometer um regresso das tendas à praça havia sido muito aplaudido antes da votação, deixando antever qual seria o resultado.
Na assembleia popular desta terça-feira, mesmo após a intervenção da PSP para os retirar, foi votado voltar a montar tendas esta quarta-feira.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.
As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz no dia 27.
Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.
IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2026 2026-10-21 19:17:36
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