
O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro prorrogou por mais duas horas o horário de votação em todo o Brasil da segunda volta das eleições presidenciais, após a falta de autocarros do transporte público em várias cidades brasileiras.
A votação deveria encerrar às 17:00 locais (20:00 em Lisboa), e agora estende-se até às 19h00 (22h00 em Lisboa).
A decisão do juiz Cristiano Zanin atendeu a um pedido da campanha do Presidente Lula da Silva, que acionou tanto o Tribunal Superior Eleitoral, quanto o STF, denunciando que em algumas cidades, entre elas São Paulo e Salvador, foi reduzida a frota de veículos, o que teve impacto no direito de os eleitores irem votar.
“Em síntese, relata o reclamante que, nos municípios em questão, não há frota suficiente no transporte público que permita o deslocamento de eleitores para locais de votação”, escreveu Zanin, na decisão.
“Considerando a gravidade dos fastos narrados, que chegaram ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal (…), e diante da urgência evidente na medida, determino prorrogação por duas horas, até as 19:00, horário de Brasília, do encerramento do recebimento dos votos em todas as secções de todo o Brasil, cabendo ao TSE dar cumprimento”, determinou.
Com isso, a divulgação do total de votos das urnas está suspensa e, até ao momento, a assessoria de imprensa do Tribunal Superior Eleitoral não soube informar o que acontece com os locais de votação que já haviam encerrado os trabalhos.
Durante uma conferência de imprensa em São Paulo, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo para que os presidentes do TSE prorrogassem o horário de votação.
“Eles têm que prorrogar o horário de votação”, defendeu Lula da Silva, considerando que não se pode permitir que as pessoas sejam “prejudicadas pelo banditismo de alguns empresários ou alguns prefeitos” e listando mais de 10 grandes cidades.
“Essas pessoas precisam aprender a respeitar a democracia neste país e quem está falando é uma pessoa que já disputou muita eleição e já respeitou muitos resultados”, realçou, insistindo que não irá “permitir que o povo seja outra vez enganado como foi em 2022, quando a Polícia Rodoviária Federal não permitiu que as pessoas fossem votar”.
O Presidente brasileiro pediu ainda aos eleitores para não desistirem de votar.
“Não desistam de votar. Esperem e votem, porque a democracia tem que sair vencedora neste processo eleitoral”, assinalou.
Pouco depois desta declaração, a campanha de Lula da Silva formalizou o pedido junto do tribunal.
Na cidade de São Paulo, cujo autarca, Ricardo Nunes, é de um partido de oposição a Lula da Silva, a Justiça Eleitoral determinou que o poder público local garanta 100% da frota de autocarros em operação.
Em Salvador, a Justiça Eleitoral do Estado da Baía determinou a prisão do secretário de mobilidade da cidade, Paulo Souza, após 75 autocarros do transporte público terem sido impedidos de sair por terem autocolantes com referência à candidatura de Lula da Silva.
A imprensa brasileira tem reportado ainda que moradores de várias outras cidades do país têm reclamado da baixa oferta de autocarros e de longas filas de espera pelo transporte público.
Antes, Em Brasília, durante uma conferência de imprensa, o presidente do TSE afirmou que a dificuldade de transporte público por autocarro registada em algumas cidades brasileiras estava a ser “corrigida”.
Os mais de 158,7 milhões de eleitores poderão votar agora até às 19:00 locais (22:00 em Lisboa) nas cerca de 564.000 urnas eletrónicas espalhadas por 5.571 cidades do país, além de 186 cidades no exterior, como Lisboa, Porto e Faro.
Na primeira volta, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.
Os dois estão tecnicamente empatados nas sondagens, retrato de um país dividido.
Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, de esquerda, e antigo sindicalista, procura a reeleição aos 80 anos e o seu quarto mandato, enquanto o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-Presidente Jair Bolsonaro, do Partido Liberal e apoiado pela direita, tenta devolver o poder ao campo bolsonarista, quatro anos depois da derrota do pai contra o ex-operário que tenta agora derrotar.
Brasil/Eleições: Supremo prorroga votação por mais duas horas 2026
IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2026 2026-10-25 20:50:21
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