
O chefe da diplomacia da Rússia recusou este domingo clarificar “linhas vermelhas” da política externa russa com a União Europeia (UE), que acusou de ignorar tentativas de diálogo para “ganhar tempo e fornecer armas” à Ucrânia.
A pretensão da UE de “clarificar as nossas ‘linhas vermelhas’ é simplesmente ridícula, uma vez que estas foram definidas há muito tempo”, afirmou Serguei Lavrov à televisão pública russa.
Lavrov aludiu a “alguns funcionários” da UE que afirmaram que “em algum momento, não agora, mas mais à frente, será necessário um diálogo com a Rússia para clarificar as ‘linhas vermelhas’”.
“Isto é totalmente irresponsável”, considerou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa durante a entrevista, citada pela agência espanhola Europa Press (EP).
Lavrov insistiu que a UE não precisa de explicações de Moscovo e que “qualquer pessoa que estivesse disposta a ouvir” deveria ter entendido isso há muito tempo.
“Se certos membros da elite perseguem objetivos puramente egoístas, irreais e ilusórios, prestarão contas no devido tempo. A História, em última análise, irá responsabilizá-los”, afirmou.
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, desencadeando aquele que é considerado como o pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), com um saldo de vítimas por determinar.
Entre outras condições, Moscovo exige o reconhecimento da soberania russa em cinco regiões ucranianas, incluindo a Crimeia anexada em 2014, uma redução significativa do exército ucraniano e garantias de que Kiev nunca fará parte da NATO.
As declarações de Lavrov ocorrem após o encontro na quinta-feira, em Chipre, entre os líderes da UE e o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
Na cimeira informal de quinta-feira, foi aprovado um empréstimo de 90 mil milhões de euros a Kiev, que estava bloqueado pela Hungria, e um novo pacote de sanções contra Moscovo.
Lavrov acusou Zelensky de chefiar um “regime abertamente nazi” e de querer liderar uma “nova entidade militar europeia que os alemães e os britânicos estão a tentar organizar”.
“Zelensky diz abertamente ‘defenderemos todos, temos a força, a experiência e o maior exército da Europa para o fazer’. (…) E vê a Ucrânia ao leme de toda esta entidade militar”, observou.
“Mas não creio que isto acabe bem”, afirmou, citado pela agência russa TASS.
Lavrov criticou a pressão de Zelensky para uma adesão imediata da Ucrânia à UE, que disse implicar admitir um país que “proibiu a cultura russa em todas as suas manifestações e a Igreja Ortodoxa canónica”.
O ministro descreveu como uma ironia que a UE considere Zelensky como um defensor dos valores europeus, apesar das medidas que acusou o líder ucraniano de ter tomado contra a cultura russa e a Igreja Ortodoxa.
Serguei Lavrov: A pretensão da UE de “clarificar as nossas ‘linhas vermelhas’ é simplesmente ridícula” 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-04-26 15:35:06
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