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BCE prepara mercado financeiro que poderá funcionar 24 horas por dia a partir de 2028 2026

Юстиция Иванова by Юстиция Иванова
Agosto 29, 2026
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Bce prepara mercado financeiro que poderá funcionar 24 horas por dia a partir de 2028 2026

BCE prepara mercado financeiro que poderá funcionar horas por dia a partir de

Bce prepara mercado financeiro que poderá funcionar 24 horas por dia a partir de 2028 2026 bce prepara mercado financeiro que poder funcionar hora o banco central europeu (bce) está a preparar uma profunda transformação da forma como funcionam os mercados... Iustitia. Bg bce prepara mercado financeiro que poderá funcionar 24 horas por dia a partir de 2028 2026 2026-08-29 15:50:04 justiça - iustitia. Bg

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  • Afinal, o que é a tokenização?
  • O que está a mudar?
  • O primeiro passo chega este ano
  • Porque é que isto interessa ao BCE?
  • Schnabel alerta para uma mudança de poder
  • E onde entra o Appia
  • Não é uma nova criptomoeda
  • Um mercado que nunca fecha

O Banco Central Europeu (BCE) está a preparar uma profunda transformação da forma como funcionam os mercados financeiros europeus. A ambição é que, até meados de 2028, determinadas operações possam ser realizadas de forma contínua, 24 horas por dia, sete dias por semana.

A informação sobre o calendário foi avançada pelo jornal espanhol Cinco Días, depois de Piero Cipollone, membro do conselho executivo do BCE, ter apresentado os planos da instituição. Esta sexta-feira, o tema ganhou novo impulso com Isabel Schnabel, também membro do conselho executivo, a defender que os bancos centrais devem acompanhar a mudança tecnológica para não perderem influência sobre o sistema financeiro. A intervenção foi noticiada pela Reuters.

No centro desta transformação está uma palavra que começa a entrar no vocabulário financeiro: tokenização.

Afinal, o que é a tokenização?

A ideia é mais simples do que parece. Tokenizar um ativo significa criar uma representação digital desse ativo. Uma obrigação, por exemplo, passa a ter uma espécie de “versão digital” que pode ser registada e transferida eletronicamente.

Em vez de uma operação depender de vários sistemas diferentes para confirmar quem comprou, quem vendeu, quanto foi pago e quem passou a ser o proprietário, uma parte maior do processo pode acontecer digitalmente. É aqui que entra a blockchain.

A blockchain pode ser entendida como um grande livro de registos digital partilhado. Em vez de existir apenas uma entidade a guardar a informação, várias partes da rede mantêm cópias dos registos e verificam as novas operações. Depois de registada, uma operação torna-se muito difícil de alterar sem que isso seja detetado.

A tecnologia ficou conhecida sobretudo por estar na base de criptomoedas como a bitcoin. Mas o seu uso não se limita às criptomoedas. Bancos e instituições financeiras estão a estudar a possibilidade de utilizar tecnologias deste género para negociar ações, obrigações, fundos e outros ativos. E é precisamente aí que o BCE quer entrar.

O que está a mudar?

Atualmente, uma operação financeira pode passar por várias entidades.

Imagine que um investidor compra uma obrigação. Há um sistema onde a obrigação está registada, outro onde a transação é confirmada, outro responsável pela transferência do dinheiro e ainda outros processos para garantir que o ativo passa efetivamente para o novo proprietário. São várias etapas e vários sistemas que precisam de comunicar entre si.

Com ativos digitais, algumas dessas etapas podem ser reunidas e automatizadas. O comprador pode receber o ativo ao mesmo tempo que o vendedor recebe o dinheiro, sem que seja necessário esperar que diferentes sistemas concluam sucessivamente as suas tarefas. É esta possibilidade de tornar as operações mais rápidas e simples que está a despertar o interesse do BCE.

O primeiro passo chega este ano

O primeiro projeto chama-se Pontes e deverá começar a funcionar no terceiro trimestre de 2026. O objetivo é ligar as novas plataformas digitais utilizadas para negociar ativos aos sistemas de pagamentos do Eurosistema, permitindo que as operações sejam pagas com dinheiro do banco central.

Dito de forma simples: o BCE quer permitir que um ativo digital seja comprado e vendido numa plataforma moderna, mas que o dinheiro utilizado para pagar a operação continue a ser dinheiro oficial do banco central. É uma forma de aproximar a nova economia digital do sistema financeiro tradicional.

O BCE pretende aumentar progressivamente as capacidades deste sistema. A ambição apresentada por Cipollone é chegar a meados de 2028 com uma infraestrutura que possa funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana, e que permita operações envolvendo diferentes moedas.

Porque é que isto interessa ao BCE?

Porque a mudança tecnológica já está a acontecer. Nos Estados Unidos, por exemplo, algumas empresas financeiras já utilizam sistemas baseados em tecnologia semelhante para operações de grande dimensão. A plataforma de repo da Broadridge, segundo a própria empresa, processou uma média de 354 mil milhões de dólares por dia em operações tokenizadas em março de 2026.

O BCE não quer que a Europa fique simplesmente a assistir. Mas existe uma razão ainda mais importante: o dinheiro. Se os ativos financeiros passarem para plataformas digitais, também será necessário decidir qual o dinheiro utilizado para os comprar e vender. O BCE quer que esse dinheiro continue a ser o euro emitido pelo banco central.

Schnabel alerta para uma mudança de poder

Foi precisamente este ponto que Isabel Schnabel colocou em destaque esta semana. Segundo a Reuters, a responsável do BCE defendeu em Jackson Hole que os bancos centrais devem adaptar-se à nova realidade e levar o dinheiro oficial para os sistemas digitais onde os ativos financeiros começam a ser negociados. A questão é mais profunda do que parece.

Se no futuro grande parte dos mercados financeiros funcionar através de plataformas digitais privadas e o dinheiro dos bancos centrais não estiver presente, estes poderão perder parte da influência que hoje têm sobre o sistema financeiro. É por isso que o BCE está a tentar chegar antes que essa transformação esteja concluída.

E onde entra o Appia

O Pontes é apenas o primeiro passo. O BCE tem também o projeto Appia, que pretende preparar uma estrutura mais ampla para os futuros mercados financeiros digitais europeus.

A ideia é evitar que cada banco, bolsa ou país crie o seu próprio sistema, incapaz de comunicar com os restantes. O objetivo é criar uma espécie de “rede de estradas” digital que permita aos diferentes mercados europeus comunicar entre si. O BCE pretende apresentar em 2028 um plano para esse futuro sistema.

Não é uma nova criptomoeda

Há outra ideia importante a esclarecer: o BCE não está a criar uma criptomoeda. O projeto também não é o mesmo que o euro digital destinado aos pagamentos do quotidiano.

O euro digital pretende ser uma forma de dinheiro digital para cidadãos e empresas fazerem compras e pagamentos. O Pontes e o Appia têm outro objetivo: modernizar a forma como grandes operações financeiras são realizadas entre bancos, empresas e investidores.

Um mercado que nunca fecha

É aqui que está talvez a parte mais interessante da transformação. Hoje, os mercados financeiros têm horários definidos e muitas operações demoram tempo a ser concluídas porque dependem de diferentes sistemas.

A tecnologia permite imaginar outra realidade: mercados onde determinados ativos podem ser negociados e transferidos a qualquer hora, com o dinheiro e o ativo a mudarem de mãos praticamente ao mesmo tempo. É uma lógica semelhante à dos mercados de criptomoedas, que funcionam sem interrupção.

A diferença é que o BCE quer trazer parte dessa lógica para o sistema financeiro oficial, com regras, supervisão e utilização do euro. A aposta é tecnológica, mas também económica e estratégica. A pergunta que está em jogo é simples: quando os mercados financeiros se tornarem cada vez mais digitais, quem controlará as infraestruturas através das quais o dinheiro e os ativos circulam? O BCE quer garantir que a resposta continue a incluir a Europa — e, sobretudo, o euro.

BCE prepara mercado financeiro que poderá funcionar 24 horas por dia a partir de 2028 2026

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