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B-Parts acelera 20% no primeiro semestre e quer “ultrapassar os 80 milhões de euros no final de 2026” 2026

Юстиция Иванова by Юстиция Иванова
Agosto 29, 2026
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B-parts acelera 20% no primeiro semestre e quer "ultrapassar os 80 milhões de euros no final de 2026" 2026

B Parts acelera % no primeiro semestre e quer "ultrapassar os milhões de euros no final de "

Manuel Araújo Monteiro, administrador e cofundador da B-Parts, plataforma digital que se dedica à venda de peças automóveis originais usadas, analisa o desempenho da empresa no primeiro semestre e detalha o plano de expansão. Em entrevista ao DN/Dinheiro Vivo, o gestor antevê ainda o impacto das novas diretivas europeias de sustentabilidade no modelo de negócio da subsidiária da Stellantis.

Qual o desempenho da B-Parts no primeiro semestre de 2026 em números e que leitura faz destes resultados? 

O primeiro semestre confirmou a trajetória que temos vindo a construir nos últimos anos. Fechámos os primeiros seis meses com um crescimento da faturação na ordem dos 20% face ao período homólogo, o que nos coloca numa posição sólida para ultrapassar os 80 milhões de euros no final de 2026. O nosso stock global também cresceu em mais de 3,5 milhões de produtos, o que representa um aumento acima de 20%. Este desempenho não veio apenas do reforço em mercados já consolidados, mas também do contributo crescente de mercados mais recentes, onde a rede de parceiros e fornecedores que temos vindo a expandir começa já a ter um peso relevante nos resultados. Por isso, a leitura que faço é bastante positiva: estamos dentro do orçamento e em linha com o objetivo que definimos para 2026, que é crescer cerca de 20% de forma transversal, isto é, em encomendas, volume de negócios e inventário.

A empresa definiu essa meta porquê? E que crescimento representa relativamente a 2025? 

Os 80 milhões de euros não são um número escolhido ao acaso: resultam diretamente da trajetória de crescimento que temos vindo a manter nos últimos anos e da leitura que fazemos do mercado para 2026. Representam um crescimento de cerca de 23% face a 2025, que é exatamente o ritmo que temos vindo a registar de forma consistente. Neste momento, os resultados do primeiro semestre e o desempenho dos diferentes mercados dão-nos confiança para dizer que vamos ultrapassar essa fasquia. Esta meta assenta em três pilares. Primeiro, a consolidação nos mercados onde já estamos presentes há mais tempo, como Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália e EUA, onde continuamos a ganhar quota. Segundo, a maturação dos mercados mais recentes, onde a rede de parceiros e fornecedores que reforçámos ao longo do último ano começa agora a gerar volume relevante. É o caso, por exemplo, da nossa entrada na Polónia, enquanto fornecedor. Terceiro, parcerias estratégicas como a que estabelecemos na Alemanha com a Arval, empresa de gestão e leasing de frotas do grupo BNP Paribas, que nos permite integrar as peças da B-Parts em reparações realizadas pela sua rede de oficinas, criando assim um novo canal de procura num mercado estratégico para nós. 

Que fatores concretos estão a impulsionar este crescimento, em particular nos mercados europeu e norte-americano? 

Há, antes de mais, um fator puramente económico: a subida do custo das peças novas, agravada pela escassez de componentes eletrónicos e pela inflação dos últimos anos, tornou a peça usada uma escolha racional e não apenas uma escolha “verde”. Isso está a mudar o perfil de quem compra: deixou de ser um nicho de consumidores mais conscientes e passou a incluir oficinas e frotas que procuram, acima de tudo, controlar custos sem comprometer a qualidade da reparação. Na Europa, este efeito económico é reforçado pela pressão regulatória que está a empurrar toda a indústria para a economia circular. As diretivas europeias ligadas à sustentabilidade e à redução de resíduos automóveis estão a criar um enquadramento cada vez mais favorável às peças recuperadas, e isso nota-se sobretudo junto de seguradoras e frotas empresariais, que procuram alternativas mais sustentáveis sem abdicar da fiabilidade. É precisamente aí que entram parcerias, por exemplo, com empresas de renting, uma vez que se preocupam com a qualidade, por isso preferem peças originais e, por outro lado, porque têm grande volume de reparações.  

Porque razão escolheram a Polónia como próximo passo na expansão europeia e o que torna este mercado estratégico para a B-Parts? 

Escolhemos a Polónia por representar uma oportunidade estratégica para o nosso crescimento e, simultaneamente, reforçar e diversificar a nossa base de fornecedores num mercado de grande dimensão, com um parque automóvel muito significativo e com uma oferta de stock com qualidade e diversidade. Além disso, identificámos na Polónia um know-how técnico bastante relevante e bons profissionais, que para nós, representam fatores importantes para o desenvolvimento da atividade da B-Parts. A sua localização permite-nos também reforçar o nosso ponto logístico na Europa Leste e melhorar a nossa capacidade de atuação nessa região. 

Como é feita a integração de fornecedores locais e de que forma essa integração fortalece o catálogo e a rede europeia da B-Parts? 

O processo começa pela identificação dos fornecedores certos. Para isso, contactamos as associações locais do setor, que nos indicam quais os centros de abate certificados naquele mercado, pois é esse universo que nos interessa. A partir daí, fazemos um estudo de mercado e analisamos os principais players, avaliando não só a sua dimensão, mas também a complementaridade que podem trazer ao nosso catálogo: o que é que têm disponível que ainda não temos, ou que existe em menor quantidade na nossa rede. Cada fornecedor integrado não reforça apenas a oferta local, mas alarga também o catálogo disponível para toda a rede internacional da B-Parts. É este efeito de rede que torna cada entrada num novo mercado estrategicamente relevante para a operação global. 

De que forma a crescente procura por peças usadas, originais e certificadas está a transformar o vosso modelo de negócio? 

O nosso negócio assenta inteiramente na comercialização de peças automóvel originais usadas e certificadas. E esta procura crescente veio validar precisamente aquilo que sempre foi a nossa premissa: de que estas peças são uma alternativa genuína e não um recurso de última instância. Isso está a transformar o perfil dos nossos clientes. Não são apenas quem procura poupar, mas também quem procura uma solução fiável e sustentável. Do ponto de vista do modelo de negócio, isso significa que podemos crescer em segmentos nos quais antes não éramos tão considerados (como o B2B e os acordos com gestores de frotas) e que a certificação e a garantia das peças deixaram de ser um diferenciador e passaram a ser uma exigência de entrada. O mercado está a amadurecer, e a B-Parts está posicionada para liderar essa transição. A isto junta-se uma vantagem importante: o tempo de entrega. Normalmente, conseguimos disponibilizar peças de forma mais rápida do que a disponibilidade de peças novas através das próprias marcas. Esta rapidez é particularmente relevante para profissionais, oficinas e gestores de frotas, onde reduzir o tempo de imobilização de um veículo pode fazer uma grande diferença.  

Que papel têm a tecnologia e os dados na gestão da plataforma e na capacidade de acompanhar a evolução da procura dos clientes? 

A tecnologia é outro dos motores da B-Parts. Somos, na essência, um e-commerce: não temos as peças connosco, elas estão fisicamente nos nossos fornecedores, espalhados por toda a Europa e EUA. É a tecnologia que torna possível uma peça que está num desmantelador local, chegar a um cliente final do outro lado do continente, ou do mundo. Sem essa camada digital, essa peça simplesmente não existiria para o mercado, ficaria confinada à procura local. 

Olhando para esta primeira metade do ano, que sinais vê que o fazem acreditar que a próxima fase de desenvolvimento do negócio está assegurada 

Há três sinais que me dão confiança. Primeiro, o crescimento é equilibrado: não dependemos de um único mercado ou de um único segmento, o que torna a operação mais resiliente. Segundo, a rede continua a crescer: mais fornecedores significa mais catálogo, e mais catálogo significa mais capacidade de servir clientes em mais mercados. Terceiro, a entrada na Polónia mostrou que o nosso modelo de expansão é replicável. Não precisamos de reinventar a abordagem de cada novo mercado. Temos um processo que funciona e que podemos acelerar. 

Que prioridades estratégicas definiram para os próximos anos, em termos de expansão, reforço da rede de parceiros e consolidação internacional? 

A prioridade imediata é consolidar o que construímos em 2026 (em particular a operação na Polónia e os acordos no segmento B2B) e usar essa base para acelerar o nosso crescimento. Temos ambição de crescer a um ritmo mais elevado do que o atual, e para isso precisamos de continuar a alargar a rede de fornecedores, entrar em novos mercados europeus e reforçar a nossa presença no segmento empresarial. Os Estados Unidos são uma prioridade importante neste caminho. A médio prazo, o nosso objetivo é consolidar a posição da B-Parts como a plataforma de referência para peças automóvel usadas na Europa. Não apenas pelo volume, mas também pela qualidade da oferta e pela confiança que geramos junto de quem repara automóveis, sejam oficinas independentes, frotas ou particulares. 

B-Parts acelera 20% no primeiro semestre e quer “ultrapassar os 80 milhões de euros no final de 2026” 2026

IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2026 2026-08-29 14:56:37

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