O novo álbum de Rita Redshoes, Fala, foi lançado no dia 25 de setembro e a artista diz que tem “recebido mensagens muito simpáticas, de pessoas que vão ouvindo o disco e que se vão ligando às canções”, não só pela música, mas também pela “mensagem”. “É bom quando conseguimos fazer não só entretenimento, mas também transmitir uma mensagem, contar uma história”, diz Rita Redshoes ao DN.
Este sétimo álbum da artista vem na linha de um projeto anterior, o espetáculo The Other Women – O Mundo Nas Canções D’elas, de 2012, em que homenageou mulheres artistas internacionais que a inspiraram, como Nina Simone, Joni Mitchell, Patti Smith, PJ Harvey ou Dolly Parton.
Desta vez, ela quis celebrar “colegas autoras e compositoras” portuguesas, num cenário musical nacional que se transfigurou em quase duas décadas, desde que Rita Redshoes se lançou a solo, em 2008, com o álbum Golden Era.
As dez canções de Fala foram escritas por dez cantoautoras, por quem a artista diz ter “grande admiração por terem desbravado o caminho”. Inclui músicas de A Garota Não, Amélia Muge, Ana Bacalhau, Cláudia Pascoal, Emmy Curl, Francisca Cortesão (Minta), Joana Espadinha, Mafalda Veiga, Márcia e Margarida Campelo, com Ana Cláudia.

O que pediu Rita Redshoes a estas compositoras? “O briefing foi muito curto, não teve grandes indicações, foi só explicar-lhes o que é que tinha sido esse tal espetáculo de The Other Women, qual é que tinha sido a minha intenção ao fazer o espetáculo e que isso no fundo era uma espécie do crescimento dessa semente de 2012, mas em disco, e com autoras exclusivamente portuguesas. A única coisa que lhes disse foi: ‘o tema é o que vocês quiserem, com a vossa linguagem, com a vossa maneira de escrever, sob a vossa perspetiva’”.
Rita Redshoes sublinha que o resultado acabou por ser “um disco através da voz feminina, escrito por mulheres, mas que não se fecha nas questões femininas, se é que isto existe, porque eu também me pergunto, será que existem questões só femininas ou dizem respeito a toda a gente? Acho que dizem respeito aos homens também. E o disco tem este lado, para mim de grande riqueza, que é nas próprias letras os homens estarem implicados”.
E exemplifica com a canção que abre o disco, Fala Bem, de A Garota Não. “É sobre a temática dos adultos, dos pais, falarem sobre a intimidade. O crescer e ter noção dos perigos que existem cada vez mais para os adolescentes na exploração da intimidade com outra pessoa. E ela diz ‘fala mãe’, mas também diz ‘fala pai’, é uma perspetiva de responsabilidade conjunta”.
Os temas são diversos, aborda-se a solidão de um casal que vive na mesma casa, como em A Mesma Solidão, de Joana Espadinha, ou o aconchego maternal ou paternal como na canção Colo, de Mafalda Veiga. “As temáticas não têm que ver só com a perspetiva feminina, são coisas do ser humano, que todos vivemos, na nossa infância, e coisas que nos acompanham”, sublinha Rita Redshoes.
Havia o risco das autoras repetirem temas, mas quanto a isso Rita Redshoes sublinha a singularidade de cada uma. “É curioso, há entre as canções pontos que se tocam, mas ainda assim, e isto é a coisa mais maravilhosa do ser humano, sobre o mesmo assunto eu tenho uma perspetiva e outra pessoa tem outra. Todos temos uma perspetiva de alguma maneira única sobre as coisas”.
A Rita Redshoes coube agarrar nas canções e torná-las dela. “Foi um trabalho interessante, porque maioritariamente a minha carreira foi construída com canções escritas por mim”, sublinha. No entanto, “é uma coisa que me agrada muito, não ter esse peso de ter que encontrar uma semente, para depois tornar essa semente flor, ou seja, não estar preocupada com a estrutura da canção, a harmonia e melodia, e a letra”, acrescenta.
Com essa parte do trabalho feita, Rita Redshoes concentrou-se noutros elementos. “Enquanto cantora e instrumentista, como é que sinto esta história e a torno minha Como é que a trago para a minha pele e para a minha voz, de forma a que, quando as pessoas a ouvirem, sintam que poderia ter sido eu a escrevê-la”.

Musicalmente, a artista diz que há sonoridades que podem ser encontradas noutros discos. “Porque eu toco maioritariamente piano e guitarra, e às vezes outros instrumentos”. As canções e as letras iam indicando o caminho, revela, com canções “mais despidas”, quase só com voz e piano, e outras que até até têm coro, “porque eu queria dar esse lado mais de humanidade, de perceber que está ali mais gente a dizer a mesma coisa”.
Fala será apresentado em dois concertos especiais, na Casa da Música, no Porto, e no Teatro Maria Matos, em Lisboa, nos próximos dias 24 e 28 de outubro, respetivamente. “Resolvi construir uma espécie de guião narrativo a partir das letras e das temáticas das canções, criando uma história. Por isso, há também algumas músicas do meu repertório, dos discos antigos, que para mim fazem sentido estarem presentes, e vamos tocar o álbum na íntegra”.
Rita Redshoes apresenta ao vivo ‘Fala’, álbum que celebra mulheres compositoras 2026
IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2026 2026-10-20 08:44:18
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