A República Democrática do Congo, adversária de Portugal na fase de grupos do Mundial de 2026, está a preparar um reforço estrutural da sua seleção com um plano de captação de jogadores com dupla nacionalidade, numa estratégia que pretende consolidar o regresso da equipa africana à elite internacional após mais de meio século de ausência da principal competição mundial.
A qualificação dos “leopardos” foi confirmada com uma vitória por 1-0 após prolongamento frente à Jamaica, decidida por Axel Tuanzebe, garantindo assim a primeira presença congolesa num Campeonato do Mundo desde 1974, quando o país competiu sob a designação de Zaire. Desde então, a seleção orientada por Sébastien Desabre tem apostado numa base fortemente ligada à diáspora europeia, tendência que deverá intensificar-se antes do arranque da competição, nos Estados Unidos, México e Canadá.
Nesse contexto, a Federação Congolesa de Futebol (FECOFA) iniciou contactos com vários jogadores elegíveis que ainda não representaram a seleção principal, procurando aumentar a competitividade do grupo que enfrentará Portugal, Colômbia e Uzbequistão no Grupo K. Entre os nomes associados a este processo estão Bradley Locko, Jordy Makengo e Antoni Milambo, bem como Arnaud Kalimuendo e Dilane Bakwa, atletas com formação em França e presença em campeonatos europeus de topo. O guarda-redes Obed Nkambadio e o médio Jean-Victor Makengo também fazem parte do leque de possíveis reforços, numa lista alargada que inclui ainda Marc Bola, Samuel Mbangula, Alonzo Engwanda, Anthony Musaba e Ezechiel Banzuzi.
A aposta em jogadores com percurso internacional na Europa não é nova no projeto desportivo congolês. Aliás, figuras como Tuanzebe — formado em Inglaterra e antigo internacional jovem pelos “Three Lions” — já protagonizaram recentemente mudanças na filiação desportiva, reforçando uma seleção que tem vindo a crescer em consistência competitiva e ambição. O objetivo passa por estabilizar um núcleo capaz de competir não apenas no Mundial de 2026, mas também nas próximas edições da Taça das Nações Africanas e ciclos de qualificação futuros.
Recorde-se que, apesar do entusiasmo gerado pelo apuramento histórico, o percurso da RD Congo rumo ao Mundial ficou marcado por uma polémica administrativa. A Federação Nigeriana de Futebol apresentou uma queixa formal junto da FIFA, alegando a utilização irregular de vários jogadores congoleses por alegadas falhas nos processos de naturalização e incompatibilidades com a legislação nacional sobre dupla nacionalidade.
Contudo, a FIFA acabou por rejeitar o protesto por motivos processuais, considerando que a denúncia não foi apresentada dentro dos prazos regulamentares nem acompanhada dos requisitos formais exigidos, mantendo assim válida a qualificação da RD Congo para a fase final do Campeonato do Mundo.
RD Congo prepara “operação diáspora” antes do Mundial e quer reforços europeus 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-04-03 11:25:35
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