Dois antigos chefes do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF) chegaram mais tarde a primeiros-ministros – Yitzhak Rabin (que esteve no poder entre 1974 e 1977 e de 1992 até ser assassinado em 1995) e Ehud Barak (1999-2001).
Um terceiro, Benny Gantz, estava na calha para chefiar o governo israelita em novembro de 2021, ao abrigo de um acordo com Benjamin Netanyahu, mas a aliança acabou por cair antes.
Gantz deverá voltar a ser candidato nas próximas eleições, previstas para 27 de outubro, mas é Gadi Eisenkot (que já foi seu número dois) que está a subir nas sondagens e quer ser o próximo antigo líder militar a chegar ao poder em Israel. Será capaz de derrotar Netanyahu?
Eisenkot nasceu a 19 de maio de 1960 em Tiberíades, filho de imigrantes marroquinos, e cresceu em Eilat. Entrou para as IDF aos 18 anos, tendo servido na Brigada Golani – chegando a comandante em 1997.
Esteve nas várias guerras no Líbano e na Faixa de Gaza e ocupou diversos cargos de chefia, sendo o pai da chamada Doutrina Dahiya – uma estratégia militar que defende o uso de uma força desproporcional e esmagadora contra as infraestruturas civis para travar organizações hostis.
A 16 de fevereiro de 2015 acabaria por se tornar o 21.º chefe do Estado-Maior, sucedendo a Gantz.
Em 2019, Eisenkot deixou o serviço ativo, especulando-se logo que estivesse a pensar numa carreira política – tinha estudado História, na Universidade de Telavive, e fez uma pós-graduação em Ciência Política, na de Haifa.
Mas foi só na contagem decrescente para as eleições de 2022 que se juntou, na altura como independente, à aliança União Nacional – que unia o partido Azul e Branco de Gantz e o Nova Esperança de Gideon Sa’ar.
Eleito deputado, tornou-se ministro sem pasta quando a aliança se juntou ao governo de Netanyahu depois do ataque terrorista do Hamas, a 7 de outubro de 2023, e do início da guerra na Faixa de Gaza.
Mais tarde defenderia a necessidade de um inquérito oficial ao atentado, que fez quase 1200 mortos, e que todos os que tinham uma posição de liderança na altura se deviam demitir – incluindo o primeiro-ministro.
Era observador no Gabinete de Guerra quando, em dezembro de 2023, o filho de 25 anos foi morto em combate no norte do enclave palestiniano.
Segundo a imprensa de Israel, Eisenkot acompanhou à distância o decorrer da operação para recuperar o corpo de dois reféns, quando uma bomba explodiu num túnel, sendo informado minutos depois de que o filho estava entre os feridos. Gal Meir Eisenkot não resistiu aos ferimentos.
O Executivo de união acabou por cair em junho de 2024 e, um ano depois, Eisenkot anunciava que deixava o partido e o Knesset. Disse então, numa conferência de imprensa, que, apesar da ligação de amizade de vários anos com Gantz, “também existem divergências de opinião”, afirmando que o seu partido “precisava de um processo de democratização transparente e profundo”.
Eisenkot explicou que estava a trabalhar “para organizar e fortalecer o bloco de partidos sionistas, patrióticos, liberais e estadistas, a fim de apresentar uma alternativa de governo e realizar eleições, e obter uma vitória o mais rapidamente possível”.
A 16 de setembro de 2025, anunciou ter fundado o partido Yashar!. Segundo o site The Times of Israel, a palavra significa “direito” ou “reto”, mas também transmite uma sensação de integridade moral – ser íntegro, honesto e transparente. E é uma referência aos comentários de um antigo refém, Eli Sharabi, que disse, numa entrevista, que a libertação dos outros reféns do Hamas “não era uma questão de direita ou de esquerda, mas sim de retidão (yashar)”.
Eisenkot explicou que a perda do filho alimentou a sua determinação em trabalhar para reparar o país. “Quero canalizar esta perda para algo positivo, para um lugar de dignidade, para dar continuidade ao seu legado”, disse na cerimónia que assinalou os dois anos da sua morte, segundo o jornal Jerusalem Post, “para dar um significado apropriado e bom aos meus filhos e netos, e a todos neste país que desejam viver num Estado exemplar”. Eisenkot tem mais quatro filhos.
Em meados de março, uma sondagem do Times of Israel colocou pela primeira vez o Yashar! como o maior partido dentro da oposição – podendo eleger 16 deputados, mais um do que a formação daquele que é visto, hoje, como o líder da oposição, Naftali Bennett.
Mas Eisenkot (que já recusou uma aliança com Bennett) ainda terá muito trabalho a fazer se quiser bater Netanyahu, com a sondagem a dizer que o Likud elege 28 deputados.
Quem é o ex-líder das IDF que perdeu o filho na guerra em Gaza e quer derrotar Netanyahu? 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-04-01 23:06:00
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