
A TAP registou lucros pelo quarto ano consecutivo. Mesmo assim, afundaram mais de 90% para quatro milhões de euros, à boleia do impacto da atualização das taxas de IRC. Sem este efeito externo e não-recorrente, teria sido de 46 milhões de euros. Os resultados são conhecidos em plena privatização da companhia aérea, com Lufthansa e Air France-KLM a estarem na corrida.
A companhia recebe novos aviões este ano e vai reforçar voos para o Brasil e operações a partir do Porto. E garante estar preparada para “ajustar rapidamente a operação” devido à guerra no Médio Oriente.
As receitas operacionais subiram mais de 1% para mais de 4 mil milhões de euros, à boleia da venda de passagens, do aumento da capacidade e do ‘load factor’ e por “um desempenho sólido do segmento de manutenção (+11%).
O EBITDA recorrente atingiu 743 milhões de euros, com uma margem de 17%, seguido do EBIT recorrente que atingiu 243 milhões, com uma margem de 6%.
Sobre o plano de reestruturação, a companhia recorda que concluiu em 2025 “o cumprimento dos compromissos operacionais e financeiros previstos no Plano de Reestruturação aprovado pela União Europeia, tendo a Comissão Europeia reconhecido que todas as medidas operacionais exigidas foram implementadas atempadamente e que a Sociedade alcançou resultados operacionais e financeiros suscetíveis de restabelecer a sua viabilidade a longo prazo”.
Já a veda da Cateringpor e na SPdH (Sociedade Portuguesa de Handling, S.A) foi adiada até 30 de junho de 2026, ficando a TAP obrigada a devolver 25 milhões “correspondente a parte do auxílio de Estado recebido, em consequência dessa prorrogação”.
Para este ano, a estratégia da TAP “assenta num crescimento disciplinado e sustentável, suportado por uma expansão e modernização equilibrada da frota, através da entrega de aeronaves Airbus NEO, reforçando a eficiência operacional e a sustentabilidade. O crescimento será principalmente impulsionado pelo reforço da rede transatlântica, com particular destaque para o Brasil, bem como pela expansão das operações a partir do Porto, incluindo o lançamento de
novas rotas e o desenvolvimento de um hub de Manutenção. Em paralelo, a TAP continuará a investir no seu produto e na experiência do cliente, com foco numa nova cabine e na oferta a bordo, reforçando a portugalidade”.
Olhando para este ano, a companhia aponta que a “resiliência da procura e a dinâmica positiva das reservas deverão suportar Load Factors mais elevados e a melhoria das receitas unitárias, apesar do aumento moderado da capacidade. O impacto da evolução dos preços do combustível deverá ser parcialmente mitigado do lado da receita, através de ajustamentos de pricing alinhados
com as tendências de mercado e suportados por uma procura adicional robusta”.
“O foco mantém‑se nos nossos principais mercados e na qualidade da receita, tirando partido da vantagem geográfica e da rede única da TAP, assente numa execução disciplinada e numa estratégia consistente de crescimento sustentável. Tendo em conta a incerteza que persiste em torno do conflito no Irão, estamos a acompanhar a situação de perto e manteremos a flexibilidade necessária para ajustar rapidamente a operação caso o contexto se altere”, pode-se ler.
A companhia regista a sua “estrutura financeira sólida”, suportada por uma “posição de liquidez robusta” de mais de 765 milhões de euros, um aumento de EUR 114 milhões face a 31 de dezembro de 2024, e por um rácio dívida financeira líquida / EBITDA de 2,6x (2,6x nas contas estatutárias de 2024).
“Em 2025, a TAP apresentou resultados sólidos, suportados por uma procura resiliente de passagens em toda a rede, principalmente na segunda metade do ano, e por um contributo relevante do negócio de Manutenção, que continuou a reforçar o seu peso nas receitas totais. Apesar de um contexto desafiante, marcado por pressões inflacionárias nos custos e por constrangimentos nas cadeias de abastecimento e operacionais expressivos em toda a indústria, mantivemos margens resilientes e reforçámos a posição financeira da Companhia”, disse o presidente-executivo Luís Rodrigues.
Para este ano, promete foco nas prioridades operacionais: “Esse processo será acompanhado pelo início de uma nova fase de crescimento disciplinado e sustentável, com um maior enfoque na expansão transatlântica, nomeadamente com duas novas rotas no Brasil, reforçando a nossa liderança e rede neste mercado, para um total de 15 destinos, dos quais 10 são servidos em exclusivo pela TAP. Adicionalmente, iremos expandir as operações a partir do Porto, com o lançamento de várias novas rotas e com o investimento num novo hub de Manutenção”.
Proposta final pela TAP tem de “respeitar todas as condições e oferecer valor absolutamente excecional”
Depois da desistência da dona da Iberia/British Airways, o Governo não considera um problema que apenas seja apresentada uma proposta final pela TAP até 1 de julho desde que sejam cumpridas as condições a par de um encaixe financeiro.
“Fazendo um exercício de futurologia, se quando chegarmos às propostas vinculativas, só haver um grupo” não será um problema, desde que respeite “todas as condições” e ainda ofereça um “valor absolutamente excecional”, disse o ministro das Infraestruturas na terça-feira, 7 de abril, no Parlamento.
“Sabemos quais são as condições: manutenção do hub, da marca, das rotas. Eu faço uma pergunta aqui: estariam em desacordo ainda que fosse só um interessado, mas com um valor substancial na venda e respeitasse todas as dimensões?”, perguntou o ministro aos deputados.
A desistência da IAG “não prejudica” o processo, defendeu Miguel Pinto Luz. “Vamos aguardar. São dois dos maiores grupos europeus de aviação”.
Depois da entrega das duas propostas não-vinculativas da Lufthansa e da Air France-KLM, a Parpública tem 30 dias para produzir um relatório sobre as duas propostas. Depois, até 1 de julho, terão de ser entregues as propostas vinculativas. “É preciso aguardar pacientemente o relatório”.
Tango da privatização da TAP dança-se a dois com dona da Iberia a ficar em terra
O tango da privatização da TAP vai dançar-se a dois. Lufthansa e Air France-KLM passam à próxima fase, com a IAG a ficar em terra.
A impossibilidade de atingir a maioria de controlo da companhia foi o grande irritante que levou a IAG a não avançar no processo, como já tinham feito sugerir notícias na imprensa internacional na última semana.
Este ponto seria crucial para “conseguir gerir e transformar o negócio”. Trocando por miúdos, os hispano-britânicos-qataris consideraram que seria impossível atingir as margens operacionais desejadas, sem conseguirem controlar a gestão por completo. Isto é, a IAG não estava disposta a meter dinheiro numa empresa em que não consegue controlar o destino do investimento por completo.
A TAP detém margens de 8% atualmente, com a IAG a ter como meta para as suas empresas margens operacionais de 12%-15%.
Resta saber se a impossibilidade de atingir a propriedade total vai ter impacto no preço pelos 45%, pois acarreta riscos ao negócio.
A TAP foi avaliada em 1,5 mil milhões de euros pela Bernstein, com a posição de 45% a valer, pelo menos, 700 milhões de euros, nas contas dos analistas da Bernstein. Isto representa um prémio de 25% a 30% face aos parceiros europeus, perante as perspetivas estratégicas da TAP, assente na sua operação intercontinental.
Olhando para os restantes concorrentes, a Lufthansa também tem dito publicamente que deseja a maioria. Para já, não foi impedimento e os alemães continuam em jogo.
“Preferimos um caminho para a maioria, mas não vamos sair fora neste ponto. Continuamos no processo. É sempre a nossa preferência ficar com a maioria”, disse o administrador executivo Tamur Goudarzi-Pour recentemente.
Sobre o modelo de gestão, defende que a a Lufthansa precisa de ter uma “palavra substancial na gestão. Queremos garantir que a TAP tenha sucesso no futuro. Para isso é preciso certas capacidades de gestão. Isto é importante para nós”.
Deu o exemplo da italiana ITA onde a Lufthansa nomeou o CEO, com a comissão executiva a ser composta por dois elementos nomeados pela Lufthansa e três pelo Governo italiano. Também sublinhou que a Lufthansa conta com um caminho claro para a maioria na companhia transalpina.
Já a Air France-KLM (AFK) considera que tem uma vantagem neste processo: o facto de ser detida pelos governos francês (28%) e neerlandês (9%) é uma mais-valia quando chega o momento de lidar com o acionista Estado português.
Na quinta-feira, destacou a “vasta experiência a trabalhar com acionistas estatais. Acreditamos que esta experiência de parceria é um testemunho da importância estratégica da aviação para uma nação”.
A AFK quer criar o “hub único do grupo no Sul da Europa, oferecendo uma vasta conectividade, nomeadamente para as Américas – incluindo o Brasil, um mercado fundamental tanto para a TAP como para a Air France-KLM – e para África”, ao contrário da IAG que conta com o aeroporto de Barajas em Madrid como hub da Iberia.
Já a Lufthansa pretende reforçar a operação da TAP no Porto com voos intercontinentais. E colocar Lisboa como ponto nevrálgico da sua rede nas rotas intercontinentais.
Para o futuro da TAP há três mercados chave, todos do outro lado do Oceano Atlântico: Brasil, Estados Unidos da América e Canadá.
A companhia alemã diz que tem um registo histórico de aumentar o número de lugares disponíveis em 15% a 20% quando compra uma empresa. “Isto mostra que não desinvestimos”.
“Podemos ligar a América do Norte via Lisboa para a África lusófona. É a distância mais curta. É a vantagem de Lisboa”, disse Tamur Goudarzi-Pour da Lufthansa.
“A ligação para a América do Norte é 10% mais curta” via Portugal face a outros hubs europeus. “É uma vantagem estratégica”, segundo o gestor alemão.
Segue-se agora um período de 90 dias para as empresas realizarem a ‘due dilligence’ e entregarem as propostas vinculativas até 1 de julho.
A estatal Parpública tem agora 30 dias para entregar ao Governo um relatório a descrever as duas propostas não-vinculativas, contendo uma apreciação das mesmas, “determinando o seu mérito absoluto e relativo em função dos critérios de seleção previstos” na legislação.
Se houver lugar a pedidos de esclarecimentos a qualquer um dos interessados, o prazo de 30 dias fica suspenso até que sejam prestados todos os esclarecimentos ou decorra o prazo que tenha sido fixado aos proponentes para o efeito.
TAP com lucros pelo quarto ano consecutivo, apesar de recuo de mais de 90% 2026 IUSTITIA.BG – Investigations 2009-2025 2026-04-09 06:55:07
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